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Muitas Línguas, Uma Língua, de Domício Proença Filho

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Para os amantes da leitura, uma boa história se faz por uma série de fatores que contribuem para um bom aproveitamento nas horas dedicadas e entretidas nos capítulos de um exemplar. Seja pela trama, pelo gênero ou pelo estilo de escrita do autor, o livro responsável por cativar, sempre entorna aspectos importantes e memorados que refletem suas particularidades para fora das páginas, fazendo-nos interpretar suas nuances de acordo com nossa concepção de primor. Acontece que todas essas características só são perceptíveis graças a um atributo quase sempre negligenciado por sua onipresença na narrativa que compõe a premissa da história. Estou falando da língua, ou, melhor dizendo, do idioma que enlaça as perspectivas e forma uma encruzilhada de conhecimento e emoção, cuja perpetuidade se dá justamente por sabermos interpretar o emaranhado de palavras formalizadas em seus ângulos linguísticos.  Desse modo, é possível perceber a importância da língua para a partilha das hist...

Por Amor aos Lugares, de Rogério Haesbaert

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Assumindo o papel de internacionalista, foi extremamente importante a leitura desse exemplar, uma vez que não vejo os lugares como um destino turístico apenas, mas sim como um coletivo cultural que representa valores e conceitos de determinada região; contribuindo para a diversificação do globo e, consequentemente, para a capacidade de aprender com as diferenças do próximo. É, de fato, uma leitura capaz trazer à mente a importância da diplomacia, da preservação da moralidade de cada canto e do aprofundamento no conceito dos lugares, que se transformam numa fonte de fatores que abrange a nossa visão para além do perceptível, seguindo um caminho sentimental e informativo para com a vivência de povos de diferentes estirpes pelos cantos do planeta, refletindo o retorno que tiveram após anos de influência cultural, seja ela qual for.  E o que contribui para um aproveitamento de qualidade, também, é a capacitação do autor ao abordar o tema com maestria. Rogério Haesbaert é ge...

As Perguntas, de Antônio Xerxenesky

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Fico muito satisfeito quando vejo um gênero literário pouco desenvolvido no Brasil se expandir e propagar essa arte empática a novos leitores cujo interesse às obras de ficção despertam o apreço pelo simples, porém almejante, ato de virar uma página. O livro "As Perguntas", de Antônio Xerxenesky, trouxe uma extravagância ao acervo nacional quando propôs mesclar coisas corriqueiras que acontecem diariamente numa grande metrópole, com incógnitas sombrias que instigam o avanço dos capítulos e formam, a cada parágrafo, perguntas na mente dos afortunados leitores. Essa primazia do título em relação a obra se faz presente ao longo de todo o exemplar que se desenvolve junto à singularidade da escrita do autor. Sim, afinal o mesmo nos apresentou a obra pela sinopse como um romance policial, onde a protagonista é convidada a resolver um caso com a polícia. Mas à medida em que vamos nos aprofundando no enredo, percebemos que trata-se de uma trama introspectiva pela qual a per...

Sussurros do País das Maravilhas, de A. G. Howard

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A fantasia, de fato, é um universo paralelo criado por mentes brilhantes cujo ofício concentra-se em fazer dos leitores, verdadeiros viajantes desse emaranhado de ideias insanas. Não é segredo o meu apreço pela ficção que transborda suas possibilidades para além daquilo que é cabível no mundo real, permitindo experiências singulares e devaneios que só os desbravadores dessas páginas conhecem. E digo isso pois compartilho da mesma ideia da autora  A. G. Howard que, logo na sua apresentação, afirma querer inspirar mais leitores a se interessarem pelas histórias que ela aprendeu a amar na infância. Assim, Sussurros do País das Maravilhas nada mais é do que um intrigante e psicodélico tributo a Lewis Carroll, um dos pioneiros a dar asas a sua imaginação, levando-a ao espantoso, porém estonteante, País das Maravilhas.  Infelizmente não tive a oportunidade de ler os dois primeiros volumes dessa série e, talvez, por conta disso, não tenha captado alguns pontos neces...

Platão no Googleplex, de Rebecca Newberger Goldstein

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Ao longo de inúmeras análises que fiz nos últimos tempos, sempre frisei o fato de gostar das obras capazes de unir extremos, tal como um romance que une ficção e realidade. A questão principal dessa vez não está nas páginas de um enredo corrido ou numa narrativa com princípio, meio e fim, mas sim em um exemplar filosófico capaz de mesclar pensamentos antigos e contemporâneos no mesmo contexto, cujo personagem principal é ninguém menos que o ateniense do período clássico da Grécia Antiga: Platão. E isso reflete a genialidade da autora, Rebecca N. Goldstein, Ph.D. em filosofia, que escolheu justamente o filósofo que não criava tratados, ensaios ou questões que propõem posicionamentos, mas, ao invés disso, diálogos — que convenhamos não ser apenas trabalhos acadêmicos, mas também uma atividade literária extremamente importante para o desenvolvimento da mãe das ciências —, usando toda sua sabedoria tal como um artista que cria suas obras, o que faz dele o protagonista ideal ...

A História da Tinta de Escrever

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Por ser algo fundamental que serviu para propagar a escrita no decorrer das eras e, consequentemente, a literatura, é muito bom sabermos como se deu a evolução da tinta que marca o papel, possibilitando a nossa entrada no fantástico universo dos livros. Pelo nome da tinta de escrever (em grego, énkaiston ), indicam-se os preparados que servem para escrever, para a imprensa e para vários fins industriais. As primeiríssimas tintas, naturalmente para escrever, foram idealizadas e compostas desde a mais remota antiguidade. Realmente, é ao chinês Tien-Chu, que viveu ao tempo do império de Huan Ti (terceiro milênio a.C.), que se atribui a invenção da chamada tinta da China.  Todas as primeiras referências sobre tal invenção falam do Velho Continente mas, de outro lado, também é digna de credito a documentação de Filon de Bizâncio (século II a.C.), que nos descreve uma tinta "simpática", precursora da tinta ferro-gálica, ainda em uso. Plínio refere-nos que os Romanos usavam...

Filha da Profecia, de Juliet Marillier

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Mais uma vez, tive a oportunidade de ler um exemplar que mescla ficção com realidade, proporcionando uma rica experiência dos sentidos e emoções àqueles que viram suas páginas. De um lado, temos a historicidade da obra, fruto de um estudo aprofundado da autora Juliet Marillier, enquanto do outro, a magia que reflete todo o misticismo de tempos antigos, regados pelo mistério que circunda um fantástico universo de segredos e aventuras. Filha da Profecia é o terceiro volume da trilogia Sevenwaters, cujo enredo me atraiu desde o início. Algo como um convite para viajar sobre as linhas do tempo imaginário, observando um horizonte há muito esquecido e experienciando peripécias dos personagens marcantes junto ao seu amadurecimento com o passar dos anos. Trata-se de uma verdadeira história que nos conecta com a criatividade, germinando instintos artísticos no intimo de cada um, para que possamos perceber o toque emocional em meio ao turbilhão de acontecimentos da narrativa. Não é ape...