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Mostrando postagens com o rótulo Mitologia

Filha da Profecia, de Juliet Marillier

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Mais uma vez, tive a oportunidade de ler um exemplar que mescla ficção com realidade, proporcionando uma rica experiência dos sentidos e emoções àqueles que viram suas páginas. De um lado, temos a historicidade da obra, fruto de um estudo aprofundado da autora Juliet Marillier, enquanto do outro, a magia que reflete todo o misticismo de tempos antigos, regados pelo mistério que circunda um fantástico universo de segredos e aventuras. Filha da Profecia é o terceiro volume da trilogia Sevenwaters, cujo enredo me atraiu desde o início. Algo como um convite para viajar sobre as linhas do tempo imaginário, observando um horizonte há muito esquecido e experienciando peripécias dos personagens marcantes junto ao seu amadurecimento com o passar dos anos. Trata-se de uma verdadeira história que nos conecta com a criatividade, germinando instintos artísticos no intimo de cada um, para que possamos perceber o toque emocional em meio ao turbilhão de acontecimentos da narrativa. Não é ape...

Filho das Sombras, de Juliet Marillier

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Mais uma vez mergulhado no oceano de fantasias da cultura céltica que há muito encanta os contadores de histórias por suas particularidades e características. Seja pela magia fortemente relacionada a este povo, ou pelas profecias e crenças politeístas, os celtas tiveram seus primeiros registros catalogados por autores clássicos gregos e romanos, que relatavam várias práticas relacionadas a este povo e seu contato direto com a natureza, destacando o culto que faziam aos elementos das florestas, tais como rios, árvores, pedras, entre outros. É sabido que muitos desses pergaminhos milenares se perderam com a severidade do tempo, mas aquilo que restou foi o suficiente para que o estudo antropológico dessa cultura fosse aprofundado na idade moderna, tornando-se tema acadêmico dentro das universidade e, também, servindo de inspiração para autores apaixonados pela mitologia histórica indo-europeia.  E foi exatamente dessa fonte que a autora neozelandesa Juliet Marillier se aba...

Angus: O Primeiro Guerreiro, de Orlando Paes Filho

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É extremamente bom quando temos a oportunidade de experienciar em uma leitura todos os sentimentos inerentes à fantasia de uma obra contextualizada em aventuras. Mas, melhor do que isso, é se tal obra apresentar, também, junto às características citadas, fatos históricos importantes para a humanidade unindo o útil e o agradável, ou seja: a utilidade das informações que desenvolve a gama cultural e a agradabilidade de ter essa historicidade priorizando o ambiente fictício e criativo proposto pelo enredo. Dessa forma, o autor garante uma experiência única a todos os leitores acirrados por um conteúdo que une essas duas vertentes catalizadoras. O exemplar já pressupõe o início de uma trilogia que engloba o universo medieval, começando logo no primeiro século da idade média, em 545 d.C., utilizando a descendência para firmar a passagens dos anos no decorrer dos três livros. Mas no primeiro título, em especial, há o avanço de apenas 300 anos, aproximadamente, até o segundo capítul...

Dois Mundos, de Simone O. Marques

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Se existe um lugar mistico no Brasil, este é a Chapada dos Veadeiros. Com suas formações rochosas peculiares e vegetação única, o local atraí turistas de todas as partes. De fato, torna-se mais interessante quando temos a oportunidade de ler um livro cuja ambientação gira em torno de nossa terra, instigando o leitor a se aprofundar no assunto. Dois Mundos, Tesouros da Tribo de Dana, é o primeiro livro da série escrita por Simone O. Marques e publicado pela Butterfly Editora no ano de 2016. Trata-se de uma distopia ambientada em terras brasileiras, onde grande parte da população mundial é morta e apenas alguns pequenos grupos sobrevivem. Um desses é a Tribo de Dana, na Chapada dos Veadeiros, onde vive Marina, a protagonista da obra. Nesta fantasia, a menina é tida como avatar — um certo tipo de deusa — por ser receptora de três divindades: Dana, a grande mãe; Morrigan, a deusa da guerra e da destruição; e Brigith, a deusa da luz. Daí já fica fácil entender o porquê do...

Da Flauta de Junco ao Eco das Montanhas

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O destino de Pã, criatura mitológica, foi amar sem nunca unir-se a criatura amada. Sua morte é um mistério até hoje pois a causa não foi retratada nos fragmentos. Pobre Pã! Apenas os navegantes souberam do ocorrido depois de ouvirem uma voz em alto mar dizendo: "O grande Pã está morto". E isso foi suficiente para repetirem o boato desde as areias da praia até os cumes das grandes cordilheiras. O povo entrou em grande alvoroço e a partir desse dia vários poetas tiveram como inspiração a vida dessa criatura enigmática que gostava de ficar sob às sombras das árvores nas florestas solitárias.  Sabe-se que no final de sua vida, Pã passou a frequentar as encostas das cordilheiras pois tinha esperança de, um dia, encontrar a ninfa Eco. Todavia, morreu sem conseguir. Tinha como companhia apenas a flauta de junco que, por ventura, também tratava-se de uma ninfa. Siringe era o seu nome! Correu por toda a vida de Pã para que ele não a encontrasse, mas de nada adiantara. Rogou aos...

A História do Bordado

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De fato, muitas figuras conhecidas no cenário mítico dos poemas homéricos ou na delicada atmosfera bíblica, revelam como a agulha sempre foi, desde as origens da humanidade, o símbolo de uma arte gentilíssima, que reflete o caráter de várias épocas; ou seja, os costumes, os usos, as manifestações da fantasia e do espírito. É justamente na Ilíada e na Odisseia que encontramos encantadoras donzelas envoltas em cândidos peplos entretidas em bordas tecidos preciosos, com a sábia agulha, guiada por mãos hábeis e espertas. E a arte do bordado encontrou a fonte de sua legendária história num episódio narrado pela mitologia, mesmo sendo sabido que o bordado floresceu na China e atingiu perfeição no Japão; e que somente durante as Cruzadas  difundiu-se pela Europa, onde encontrou grande aplicação nos castelos medievais. Mas a história do vídeo abaixo nos conta em um clima fantasioso que vale a pena ser conhecido também.  A Lenda de Aracne faz parte da mitologia grega, e se ...

A Morte de Pã

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Pã era conhecido  como o deus dos pastores, caçadores e todas as coisas selvagens que na terra habitavam. Famosa era sua estranheza; tinha dois pequenos chifres de bode e pernas peludas do mesmo animal com delicados cascos. Era fácil de encontrá-lo em lugares solitários e primitivos, onde costumava tocar seu conjunto de flautas de junco. O ser das florestas emitia suaves melodias de seu instrumento devido à ninfa Siringe, por quem caíra de amores. Esta, por sua vez, fugiu de Pã com toda indolência, sempre rogando aos deuses que a transformassem em junco a fim de não ser encontrada. De nada adiantara! Sendo adorado pelos egípcios e pelos gregos, a criatura era capaz de demonstrar sua presença através de sensações de terrível medo, fazendo com que fugissem de pânico — talvez por sua aparência um tanto quanto assustadora. E um fato interessante é que, mesmo preferindo lugares silenciosos, era notado em meio às pessoas.  É sabido que o mesmo falecera misteriosamente, sem p...

A Lenda de Eco e Narciso

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A mitologia grega nos faz refletir em meio às suas histórias sobre sentimentos profundos oriundos de seres humanos, cuja experiência é apenas mundana. Todavia, tais histórias leva-nos ao místico mundo de deuses e seres fantásticos que embarcam no imenso emaranhado de emoções, beirando à loucura. Exemplos a serem citados são os personagens Eco e Narciso, ambos traídos por suas virtudes. Num tempo onde diferentes hábitos eram praticados todos os dias, eram contadas essas lendas para o povo, e eles acreditavam fielmente no ocorrido, sem nem passar por suas cabeças o destorcimento da verdade. Um fato interessante a ser analisado é que com o passar dos anos a humanidade foi desvendando os mistérios da natureza e desmistificando as coisas, porém, ainda hoje, os contos passados naquela época são os mais famosos do mundo. O motivo? O peso da história junto as emoções humanas num contexto fantasioso, enriquecido culturalmente!  Tendo, de tal modo, mera semelhança com a realidade, co...

A História de Caronte: O Barqueiro dos Mortos

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Dentre os seres da mitologia grega, Caronte se destaca por ser o barqueiro dos mortos, aquele que leva as almas através das águas dos rios Estige e Arqueronte, que ilustram a divisão entre o mundo dos vivos, governado por Zeus, e o mundo dos mortos, governado por Hades. Sendo um dos filhos de Nix — deusa primordial da noite —, Caronte foi castigado com a tarefa depois de tentar furtar a Caixa de Pandora. Ao saber de tal feito, Zeus o mandou para o Érebo — personificação das trevas e escuridão — a fim de exercer sua nova função. Nesse tempo, Caronte dividia a função com o seu irmão gêmeo, Corante, onde cada um ficava numa extremidade do barco remando sobre as águas dos rios dos mortos. Porém, tal cumplicidade não durou muito; as moedas dadas pelas almas como pagamento pela viagem deviam ser divididas em igual, mas Corante notou que, a cada dia, as moedas ficavam mais raras e escassas, por esse motivo, começou a duvidar do irmão. Certa vez, Corante pôde ter certeza d...

Cobra Norato, de Raul Bopp

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Quão inspiradora pode ser a Amazônia por gerar tantos contos, histórias, mitos e fábulas? Com certeza trata-se de uma das regiões brasileiras que mais contribuiu para o enriquecimento do nosso folclore e literatura. De tal modo que o livro Cobra Norato, de Raul Bopp nada mais é que uma variante original de uma lenda que há muito cercava essa região lendária e misteriosa. Para ser mais exato, trata-se de uma poesia, uma poesia genial. Obviamente não foi algo feito da noite para o dia, basta analisarmos a riqueza dos detalhes que perceberemos todo o empenho do escritor. Idealizado em 1921, escrito em 1928 e publicado em 1931; dez anos foram necessários para concretizar a obra, fruto da experiência de Bopp com a cultura amazônica, incluindo a lenda original, num andar sinuoso, veloz e poético. A lenda original nos relata que uma índia, ao banhar-se entre o rio Amazônias e o Trombetas, foi engravidada pelo monstro rastejante das profundezas do rio. Disso, nasceram dois sere...

Três Pessoas Que Supostamente Encontraram Atlântida

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Um dos maiores mistérios da humanidade é o famoso continente perdido de Atlântida, citado por Platão em dois de seus diálogos, o Timeu e o Crítias. A história descreve uma grande e vasta ilha, maior que a Ásia Menor e a Líbia juntas. Alguns acreditam que o famoso filósoso, ao escrever tal conto, tinha dez anos e ouviu a história da boca do avô que, por sua vez, ouviu de seu pai, que ouviu de Sólon, que pode adquirir esse conhecimento junto aos sábios do Egito. No Pena Pensante já foi publicado um artigo, em síntese, sobre esse continente perdido, conhecido por todos: A História de Atlântida , na versão mitológica grega. Todavia, existem os que acreditam não se tratar de um mito, e muitos foram os que saíram em busca dessa terra de riqueza e conhecimento. Em toda a história, há poucos relatos e conclusões sobre o tema, entretanto, existiram três pessoas que sobressaíram-se nas buscas e que puderam, de fato, chegar a resultados satisfatórios. De acordo com o Atlas do Extraordinári...

O Portador do Fogo

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Famosos são os gregos por suas lendas e mitos com inúmeros personagens marcantes explicando as origens de todo o universo. Há muito abordo esse assunto em meio às publicações, visando agregar os valores de uma cultura que tanto influenciou a humanidade. Você pode se aprofundar lendo um artigo publicado no Pena Pensante chamado  Constelação dos Deuses , cuja finalidade é introduzir o leitor nesse mundo de aventura e mistério. Com o fogo não seria diferente; a mitologia grega introduziu o elemento à terra graças ao gigante Prometeu, portador de uma história que nos passa uma mensagem de bravura. A versão que escolhi para contar foi retirada de O Livro das Virtudes, volume II, adaptada das versões de Fanny E. Coe e Flora Cooke da peça de Esquilo. O vídeo narrado por mim deixa claro o quão grande foi a coragem do personagem da mitologia grega, Prometeu, ao enfrentar o poderoso Zeus e ensinar o dom do fogo aos seres humanos. O Livro das Virtudes , volume I, já foi resenhado ...

O Livro Ilustrado dos Mitos, por Neil Philip

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O mito fantasia o passado imemorial de forma fabulosa, narrando as origens entre genealogias e rivalidades na autoridade e confiabilidade da pessoa que o testemunhou. O Livro Ilustrado dos Mitos é um conjunto dessas histórias irreais, contadas em diferentes épocas e lugares. Entretanto, não é considerado apenas história. Uma vez que pessoas acreditam nele com o coração e a alma, torna-se uma mina de fidelidade humana — a verdade de um é a ficção de outro. "Os Mitos são os sonhos da humanidade. Como os sonhos, eles são ao mesmo tempo profundamente estranhos e espantosamente familiares." A obra conta com uma fração do que compõe a mitologia mundial, sendo que algumas regiões são mais retratadas do que outras. Dividido em sete parte, o livro começa com os mitos da criação e os "começos" do mundo, passando para fertilidade e cultivo, deuses e mortais, deuses e animais, até chegar nas visões do fim. As ilustrações são extremamente detalhadas e a narrati...

Dinotopia: O Mundo Subterrâneo, de James Gurney

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Já pensou em ter uma vida junto aos dinossauros? Provavelmente, essa realidade seria um caos! Entretanto, não é a perspectiva que James Gurney nos proporciona em sua obra. Nesse universo, seres humanos e dinossauros vivem em perfeita comunhão, na ilha de Dinotopia, compartilhando tarefas diárias. Enquanto o resto do mundo acredita que os dinossauros foram extintos, o local permanece em segredo e preservado, sendo contornado por um grande recife seguido de tempestades fortíssimas, impossibilitando sua descoberta. Todavia isso não significa que os habitantes de Dinotopia são atrasados em relação às outras partes do globo por estarem isolados; eis a surpresa! De acordo com a obra, toda a ilha possui uma tecnologia e infraestrutura que as demais nações desconhecem. Não posso opinar sobre os outros livros desse universo pois li apenas um. Mesmo assim, fiquei fascinado com a riqueza dos detalhes. Em Dinotopia: O Mundo Subterrâneo , um dos títulos da série, o autor apresenta traço...

A Constelação dos Deuses

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Os antigos gregos, seja pelo idioma, costumes ou religião, certamente sentiam-se diferentes dos outros povos por eles conhecidos. Tanto assim, que dividiam a humanidade em helenos — habitantes da Hélade, região central da Grécia — e bárbaros — todos os que não falavam grego. Mas a essência do helenismo não foi geográfica ou linguística, e sim social e cultural. Foi uma forma de vida característica, corporificada numa instituição básica: a polis ou cidade-estado. Costumavam dizer: "Os bárbaros são escravos; nós, helenos, somos homens livres". Essa liberdade não significava apenas a consciência nacional, o governo de si próprio, o respeito à lei e à justiça. Era toda uma concepção do universo, perfeitamente resumida na frase do filósofo Protágoras: " O homem é a medida de todas as coisas". Esse culto do homem praticamente se confunde com o culto de seus modelos ideais, os deuses. O supremo Zeus observa os movimentos do mundo, atende às necessidades das pessoa...

Sedna e os Inuítes do Norte

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Sedna é conhecida como a mãe dos animais marinhos. Porém, antes era uma moça como qualquer outra, se transformando em uma deusa que vive no fundo do mar ártico. Conta os Inuítes do Norte a história de que ela não queria se casar. Rejeitava todos os jovens pretendentes de sua aldeia, sempre dedicando seus cuidados aos animais. — Isso vai trazer azar — disseram os jovens rejeitados, que queriam Sedna. Eles a levaram em um barco para o mar e a empurraram para a água. Sedna segurou num dos lados do barco, mas eles cortaram seus dedos. Quando os dedos caíram no mar, eles se transformaram nas primeiras focas e outras criaturas marinhas. Sedna submergiu para o fundo do mar, onde se tornou a rainha do mundo submarino, senhora de todas as coisas vivas. Devido ao cruel sofrimento pelo qual passou, Sedna é rancorosa. Quando alguém a ofende, ela prende todos os animais para que ninguém possa pescar nem caçar. Então um homem corajoso, com poderes de xamã, sacerdote que pode se comunicar c...

O Vento do Norte Bóreas e o Sol Hélio

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Hélio e Bóreas, olhando para a terra, viram um viajante que se preparara muito bem para não ser surpreendido por uma borrasca. E era natural que ele assim se precavesse, pois era princípio de outono, estação em que nunca se sabe que tempo se enfrentará ao amanhecer um dia, mesmo que comece claro e ensolarado. E sempre o irisado arco-íris avisa que por essa época nunca é demais trazer-se uma capa. Foi pensando nisso que nosso viajante se agasalhou com grosso e pesado capote. — Este está pensando — disse Bóreas — que pelo simples fato de trazer uma capa, livra de qualquer eventualidade. Não pensou, porém, que me basta soprar com um pouco mais de violência e sua soberba capa voará. Até que seria bem engraçado ver como ele procederá em tal apuro. Vamos experimentar? — Ora, deixemos de tantas palavras e vamos ver qual de nós dois conseguirá mais rapidamente despojá-lo do capote — respondeu Hélio. Podes começar. E para facilitar tua tarefa, eu ainda te permito que escureças meus ra...

A Lenda Haitiana de Ghede

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Existe uma lenda haitiana que diz que um dos mais poderosos deuses do vodu é Ghede, Senhor da Morte, e também conhecido como Barão Semedi. Afirmam ser o mais sábio de todos os deuses, pois em sua cabeça guarda o conhecimento de tudo que já viveu, podendo trazer até mesmo os mortos de volta a vida. Quando Ghede sai da escuridão para a luz, tem de usar óculos escuro para proteger seus olhos. Mas frequentemente tira a lente direita dizendo: "Com meu olho esquerdo olho o mundo inteiro, com o direito, fico de olho na minha comida, para ter certeza que nenhum ladrão levará". Pois Ghede tem uma fome insaciável, jogando a comida na boca e fazendo-a descer com sua bebida especial, puro rum temperado com vinte e um temperos ardidos. Não há nenhum ser vivo que consiga tomar desse rum, mas Ghede não se importa. Não pisca, mesmo se o fortíssimo líquido espirrar em seus olhos. Às vezes Ghede aparece como um mendigo esfarrapado, mas na maioria das vezes usa roupas de gala: carto...

A História de Pigmalião e a Escultura

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Ao ver soberbo monte de granito, o escultor não resistiu à tentação de esculpi-lo de imediato. — Preciso imaginar uma imagem digna desse monte — dizia o artista. Meu cinzel deverá transformá-lo em algo divino, que não desmereça a obra de Deus ao fazer tão bela paisagem. Creio mesmo que o indicado será esculpir um deus. Sim! Dedicarei esta magnífica pedra à imagem de uma divindade que na mão direita deverá brandir uma lua, e na esquerda um sol. Tremei, pobres mortais, e começai desde já as súplicas ao poderoso deus. Ele será o senhor do universo! O artista trabalhou com tanta inspiração na estátua divina que todos que a viam eram unânimes em considerar perfeita a obra, só mesmo faltando-lhe o dom da palavra. Até o próprio escultor, ao terminar sua obra-prima, tremeu ao vê-la! Nunca tivera imagem mais imponente em todo o mundo. O que aconteceu com esse escultor era comum na antiguidade, entre poetas e homens de gênio. Passavam a temer a cólera das divindades criadas por eles p...