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Mostrando postagens com o rótulo Romance

O Legado do Inverno, de Filipe Penasso

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Contextos fabulísticos têm o poder de nos conduzir pelas veredas da realidade em meios reluzentes da fantasia. Estar em sintonia com a literatura diz respeito entender a proposta ilustrativa, que condiciona o tema ao nosso cotidiano, fazendo-nos experienciar na pele o que as fábulas nos oferecem. Dito isto, O Legado do Inverno enlaça paixão e sonho em cenários extremos, permitindo-nos vivenciar o sentimento mais profundo da alma contraposto ao desejo mais ardente da mesma; em outras palavras, trata-se da ilustração comparativa que um desejo pode causar em nossas vidas quando não vivido em sintonia com os sentimentos que regem o mesmo. A estória caminha junto à paixão de duas aves diante da chegada do inverno: Beija-flor, senhor dos jardins e das flores, com o forte desejo de buscar o calor do sol em terras distantes; Pisco-de-peito-ruivo, graciosa cantante das cores do entardecer, com o objetivo de realizar seu sonho mais abrasador: entender os mistérios do inverno. Nesse jogo d...

A Livraria, de Penelope Fitzgerald

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Seria um típico romance inglês em cenários e diálogos se não fosse pela especialidade de Penelope Fitzgerald em conduzir seus leitores a uma excêntrica trama que desperta questionamentos distintos à medida em que se avança na leitura. Apesar de sua brevidade, a obra traz uma perspicácia exacerbada em questões de convívio no sentido político; muitas vezes rompendo em vieses orgulhosos e egoístas por parte dos personagens. Tudo isso para desenrolar a narrativa direta que cultiva previsões de seu desfecho, mas que surpreende todos aqueles que ousam imaginar um final à trama.  Adaptado ao cinema por justamente trazer questões de convivência, classe, dinheiro e política, o exemplar também aborda preceitos de afinidade, aludido na introdução de David Nicholls como "exterminadores e exterminados", com os primeiros predominando o tempo inteiro. Ele ainda conclui dizendo que a proposição é inspirada em momentos da vida de Fitzgerald, e que dificilmente iremos encontrar outro au...

As Perguntas, de Antônio Xerxenesky

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Fico muito satisfeito quando vejo um gênero literário pouco desenvolvido no Brasil se expandir e propagar essa arte empática a novos leitores cujo interesse às obras de ficção despertam o apreço pelo simples, porém almejante, ato de virar uma página. O livro "As Perguntas", de Antônio Xerxenesky, trouxe uma extravagância ao acervo nacional quando propôs mesclar coisas corriqueiras que acontecem diariamente numa grande metrópole, com incógnitas sombrias que instigam o avanço dos capítulos e formam, a cada parágrafo, perguntas na mente dos afortunados leitores. Essa primazia do título em relação a obra se faz presente ao longo de todo o exemplar que se desenvolve junto à singularidade da escrita do autor. Sim, afinal o mesmo nos apresentou a obra pela sinopse como um romance policial, onde a protagonista é convidada a resolver um caso com a polícia. Mas à medida em que vamos nos aprofundando no enredo, percebemos que trata-se de uma trama introspectiva pela qual a per...

Ninguém Nasce Herói, de Eric Novello

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A obra escrita por Eric Novello já chama atenção por seu título um tanto quanto reflexivo, dando margem às elucubrações da capacitação de indivíduos desprovidos de oportunidades. Sim, afinal, ao se analisar a afirmativa, podemos perceber que ninguém nasce predisposto ou capaz de realizar os seus objetivos, fazendo disso algo inerente às experiências vividas com o passar do tempo. Todavia, não se deve confundir a maestria do título em relação ao conteúdo da obra, com a sentença de que todos nascem iguais, pois isso não é verdade. E o autor, em meio a sua narrativa, se aprofundará nesse juízo, proporcionando aos leitores uma experiência fantástica com sua crítica social e política dentro da literatura ficcional brasileira. Pode-se dizer que o livro reflete os matizes da falta de liberdade e empatia para com o próximo. Num cenário censurado pelo egocentrismo, o autor transforma sua visão de um país corrompido por seus próprios anseios enfadonhos, em palavras no papel, realçan...

Silas Marner: O Tecelão de Raveloe, de George Eliot

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A intriga já se firma quando descobrimos que George Eliot nada mais é do que um pseudônimo usado pela brilhante autora Mary Ann Evans que fazia desse disfarce masculino uma forma de seu trabalho ser levado a sério no decorrer do século XIX, em plena era vitoriana. E foi esse mesmo pseudônimo que assinou a obra Silas Marner: O Tecelão de Raveloe, terceiro romance da autora, publicado originalmente em 1861, que ganhou destaque por seu realismo, característica exacerbada à época, e também por sua pegada sofisticada e original ao tratar de assuntos variados, passando por industrialização, religião e fatores público-sociais.  A principio, seria apenas mais um romance ficcional nos padrões ingleses e dentro dos contextos da época, mas a crítica presente na escrita realista de Evans se torna perceptível à medida em que avançamos na leitura. E isso se torna um diferencial para a sua obra, pois ao mesmo tempo em que tinha de enfrentar inúmeras barreiras para ter s...

As Pupilas do Senhor Reitor, de Júlio Dinis

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Clássico da literatura portuguesa, editado e publicado como livro em 1867 por Júlio Dinis, tido como um verdadeiro sucesso da época justamente por direcionar-se à classe popular e não restringir-se à elite acadêmica. Nesse período da segunda metade do século XIX, Portugal vivia anos de ouro para sua literatura, com nomes memoráveis tais como Almeida Garrett, Alexandre Herculano, Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz. Mesmo tendo esse rico acervo à disposição, as atenções dos ávidos leitores voltavam-se a uma obra em especial de um autor que se lançava no meio literário fazendo uso de um pseudônimo. O exemplar foi chamado por Herculano de primeiro romance português do século, enquanto Camilo vislumbrava o nascimento de uma nova geração. De fato, Joaquim Guilherme Gomes Coelho, mais conhecido como Júlio Dinis, entrou para a história como escritor, não usando a arte como uma arma, mas como algo sutil e sensível, condizente com a pena tida como o mais clássico instrumento de trabalho ...

À Primeira Luz da Manhã, de Virginia Baily

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Primeiro livro de Virginia Baily que tive a oportunidade de ler, e seguindo a premissa da sentença de que a primeira impressão é sempre a que fica, a autora conquistou um lugar na minha estante. Com a capacidade ímpar de conduzir o leitor pelos cenários construídos na obra, há um profundo mergulho na Itália dos anos de 1940 até 1970, discorrendo a narrativa cativante pelos panoramas históricos e ficcionais — mescla que só grandes autores conseguem fazer com maestria  — e coordenando os ditosos que viajam por entre as páginas do livro em um contexto sentimental entre tempos de guerra junto a passagens afetuosas que trazem o novo para um tema já tão explorado. De fato, essas características refletem o talento de Baily em reinventar aquilo que já foi esmiuçado por outros autores. Sua difusão de ideias brilhantes proporcionam uma gama de surpresas e acontecimentos sobressaltados capazes de prender não só os ávidos leitores, mas, também, aqueles que não leem com tanta frequê...

Travessia, de Leticia Wierzchowski

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Enfim, o último exemplar da trilogia A Casa das Sete Mulheres, que durou 16 anos para ser concluída. Com a maestria de Leticia Wierzchowski em conduzir romances históricos, Travessia fecha a saga com chave de ouro, formando uma das obras que mais enriquece o acervo nacional. Sua habilidade na escrita é refletida em emoções e sentimentos enquanto vamos virando as páginas de sua obra. Se no primeiro volume o enredo era focado na Estância da Barra, sob o olhar das sete mulheres  que passaram anos enclausuradas, e no segundo os cenário se abrangem e abrem espaço para novas premissas além da Guerra dos Farrapos, adentrando também à Guerra do Paraguai, com grande número dos mesmos personagens, o terceiro, por sua vez, focaliza o romance entre Anita e Giuseppe Garibaldi. Estes que são conectados pelo apreço imensurável à liberdade transmitida em suas nuance, fonte da sensação de autonomia e independência aos leitores ávidos por aventura e historicidade. O contraste entre a...

Nunca Houve Tanto Fim Como Agora, de Evandro A. Ferreira

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Ao contrário de outras críticas sociais que apresentam sua temática de forma massante e trivial em meio à narrativa, a obra de Evandro Affonso Ferreira nos surpreende com seu enredo de palavras bem colocadas, retratando o tema proposto pelo esboço do jogo de particularidades e características singulares assinadas pelo autor. E digo isso pois o mesmo reflete sua vasta experiência literária nos parágrafos curtos que fazem uso apenas do necessário, ou seja, o essencial para despertar no leitor aquilo que o escritor almeja: a mensagem que faz pensar em algo de forma inovadora, deixando o lado sistemático para ir ao encontro do emocional. Nunca Houve Tanto Fim Como Agora , além de tudo, apresenta uma profunda reflexão filosófica do ponto de vista do narrador, que é em primeira pessoa, mostrando e indicando os fatos que fazem do mesmo um ser pensante em meio aos problemas que enfrenta. E sobre esses problemas, já pelo título é possível ter uma vaga noção do que se trata, uma vez qu...

A Última Camélia, de Sarah Jio

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Como uma velha safra de vinho esquecida no sótão que ganha valor à medida em que o tempo a envolve com seu manto, o romance de mistérios e segredos obscuros e desdenhados na noite da história, desenvolve suas raízes profundas no âmbito da estima criada no leitor, que começa a resolver seus enigmas no instante em que vira a primeira página. Claro que os vinhos servem para ilustrar aquilo que fica melhor com o tempo, e no caso do exemplar de Sarah Jio, A Última Camélia, a passagem temporal é de suma importância para a consolidação do mistério junto ao seu desfecho.  O cenário inglês é perfeito para a trama, que se passa em dois tempo e com duas protagonistas. Dois extremos conectados a uma velha mansão no interior da Inglaterra, cercada de especulações a respeito de seus acontecimentos. Além disso, algumas características similares fazem o papel de nó para o laço de particularidades presentes na vida das mesmas. Exemplos a serem citados são a origem novaiorquina e a cora...

Um Farol no Pampa, de Leticia Wierzchowski

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Mais uma vez tive a oportunidade de me aventurar em um magnífico romance histórico nacional cuja premissa nos faz viajar para um passado de raízes fortificadas em batalhas e emoções, permitindo-nos imaginar todos os eventos da época como se fossem vividos por nós, que apenas desempenhamos o papel de leitores. Mas uma das características de um bom exemplar é, realmente, esta: conceder àqueles que viram suas páginas, de forma despretensiosa, a oportunidade de viver aquilo que seria impossível se não fossem horas de dedicação de um autor a fim de transformar eventos verídicos, com sinceridade e autenticidade, nos mais ilustres romances, temperando os acontecimentos com suas artimanhas para transformar o conceito acadêmico em artístico. E destacando célebres critérios da artisticidade na escrita que Leticia Wierzchowski dá continuidade a trama de A Casa das Sete Mulheres com o segundo livro da trilogia: Um Farol no Pampa. A obra que, de imediato, nos oferece todo estilo poé...

A Casa das Sete Mulheres, de Leticia Wierzchowski

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Sempre me perguntei de onde vem a magia por trás dos romances históricos, os quais abraçam causas verídicas em meio à narrativa criada dentro desse contexto. Seria um gênio o primeiro que teve essa ideia? Colocando personagens nos momentos marcantes da história, dando-lhes características e tramando todo enredo que carregarão por entre as páginas do livro... Provavelmente sim! Por mais que eu não saiba quem tenha sido, posso dizer quem fez e continua fazendo dessa arte um instrumento de sabedoria e emoções, mesclando realidade com ficção junto à primazia da nobre escrita.  De fato, Leticia Wierzchowski domina a temática proposta em seu exemplar A Casa das Sete Mulheres, que ganhou fama após a adaptação à minissérie da Rede Globo no ano de 2003.  Mas ouso dizer que não foi por isso que o best-seller conquistou o público e sim pela maestria da autora em relação à narrativa e a construção de seus personagens. A visibilidade alcançada, ao certo, contribuiu muito para q...