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Sal, de Letícia Wierzchowski

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Contrastada ao o nome minimalista, Sal, a obra envereda-se pelas profundezas oceânicas de romances proibidos e aventuras avassaladoras, enraizando emoções em solos inexplorados aos leitores ansiosos por saberem o desfecho da trama. Encarar as páginas do livro de Wierzchowski é como navegar por águas turbulentas, desenvolvendo o desejo voraz de desvendar cada vez mais os mares das paixões descritas pela autora. E quantas são essas paixões... Latentes e esconsas, momentâneas e duradouras. Seja pelo cenário ou pelos personagens. Tudo se conecta com a maresia da história que engendra-se a partir da tradição familiar e do amor que move cada personagem ao seu caminho. A poesia em forma de narrativa tecida nos capítulos do livro circunda a ilha de La Duiva com seu farol de luz vacilante. A matriarca da família Godoy reflete sua solidão e tristeza pelas mãos de tecelã, recordando tempos distantes onde sua família estava reunida pela ilha e o farol era um colosso aos homens desorientados que na...

O Legado do Inverno, de Filipe Penasso

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Contextos fabulísticos têm o poder de nos conduzir pelas veredas da realidade em meios reluzentes da fantasia. Estar em sintonia com a literatura diz respeito entender a proposta ilustrativa, que condiciona o tema ao nosso cotidiano, fazendo-nos experienciar na pele o que as fábulas nos oferecem. Dito isto, O Legado do Inverno enlaça paixão e sonho em cenários extremos, permitindo-nos vivenciar o sentimento mais profundo da alma contraposto ao desejo mais ardente da mesma; em outras palavras, trata-se da ilustração comparativa que um desejo pode causar em nossas vidas quando não vivido em sintonia com os sentimentos que regem o mesmo. A estória caminha junto à paixão de duas aves diante da chegada do inverno: Beija-flor, senhor dos jardins e das flores, com o forte desejo de buscar o calor do sol em terras distantes; Pisco-de-peito-ruivo, graciosa cantante das cores do entardecer, com o objetivo de realizar seu sonho mais abrasador: entender os mistérios do inverno. Nesse jogo d...

Livro: 50 Poemas de Revolta

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Quando alguém ousa escrever algo relacionado a revolta, certamente pretende exprimir em suas palavras uma agitação peculiar que se estende por vieses de perturbação; em outras palavras, almeja compartilhar o efeito de sua revolta e, consequentemente, a gênese que o levou a tal manifestação. É interessante analisarmos dessa forma sempre levando o pensamento aos conceitos artísticos de expressividade. Seria uma revolta capaz de transmudar-se em arte? Artistas, por sua vez, poderiam concretizar suas obras pelo sentimento de raiva inerente à revolta? A resposta é sim! O tumulto da mente pode ser aliviado em arte, partindo do alvoroço de sentimentos revoltados em busca de alívio para tamanha conturbação. Um dos caminhos mais utilizados para se colocar em prática a composição organizada de preceitos revoltantes, é fazendo o uso das palavras, que nos conduzem aos itinerários determinados pelos autores, como bem entendem, em veículos conhecidos como poemas. Nos poemas podemos viajar, ob...

A Conquista do Everest, por James Ramsey Ullman

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Amargamente decepcionado diante do fracasso da primeira tentativa, George Hebert Leigh Mallory estava decidido a arriscar mais uma vez antes da chegada das monções. O Everest era a montanha dele, mais que de qualquer outro homem. Fora o primeiro a marcar um caminho de escalada. Seu espírito ardente era a principal força motivadora por trás de cada lance vencido, e a conquista do topo era o grande sonho de sua vida. Agora seus companheiros percebiam que ele se preparava para o esforço supremo.  Mallory movia-se com a velocidade de sempre. Acompanhado do jovem Andrew Irvine, iniciou a subida a partir do passo onde estavam, no dia seguinte à descida de Norton e Somervell. Passaram a primeira noite no Acampamento V e a segunda no Acampamento VI, a 28.600 pés. Ao contrário de Norton e Somervell, planejavam usar oxigênio na última etapa e seguir a crista da cordilheira a nordeste, em vez de atravessar a face norte do desfiladeiro. A cordilheira apresentava dificuldades de subida...

A Livraria, de Penelope Fitzgerald

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Seria um típico romance inglês em cenários e diálogos se não fosse pela especialidade de Penelope Fitzgerald em conduzir seus leitores a uma excêntrica trama que desperta questionamentos distintos à medida em que se avança na leitura. Apesar de sua brevidade, a obra traz uma perspicácia exacerbada em questões de convívio no sentido político; muitas vezes rompendo em vieses orgulhosos e egoístas por parte dos personagens. Tudo isso para desenrolar a narrativa direta que cultiva previsões de seu desfecho, mas que surpreende todos aqueles que ousam imaginar um final à trama.  Adaptado ao cinema por justamente trazer questões de convivência, classe, dinheiro e política, o exemplar também aborda preceitos de afinidade, aludido na introdução de David Nicholls como "exterminadores e exterminados", com os primeiros predominando o tempo inteiro. Ele ainda conclui dizendo que a proposição é inspirada em momentos da vida de Fitzgerald, e que dificilmente iremos encontrar outro au...

A Espada Mágica

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Existe uma história muito, muito antiga, do tempo dos cavaleiros em brilhantes armaduras, sobre um jovem comum que estava com muito medo de testar sua habilidade com as armas, no torneio local. Certo dia, seus amigos quiseram pregar-lhe uma peça e lhe deram de presente uma espada, dizendo que tinha um poder mágico muito antigo. O homem que a empunhasse jamais seria derrotado em combate. Para surpresa deles, o jovem correu para o torneio e pôs em uso o presente, ganhando todos os combates. Ninguém jamais vira tanta velocidade e ousadia na espada. A cada torneio, a notícia de sua maestria se espalhava, e não tardou a ser ovacionado como o primeiro cavaleiro do reino. Por fim, achando que não faria mal nenhum, um dos seus amigos revelou a brincadeira, confessando que o instrumento não tinha nada de mágico, era só uma espada comum. Imediatamente o jovem cavaleiro foi dominado pelo terror. De pé na extremidade da área de combate, as pernas tremeram, a respiração ficou presa...

São Damião de Veuster e os Leprosos

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Joseph Damien de Veuster (1840-1888) foi um jovem padre belga que se dedicou a cuidar de uma colônia de leprosos em Molokai, no Havaí. Chales W. Stoddard, residente no Havaí e autor do presente relato, visitou a colônia de Melokai em companhia de dois médicos do governo, em 1884. À primeira vista, Kalawao parece ao visitante uma próspera aldeia de quinhentos habitantes, se tanto. A única rua é margeada de chalés brancos com jardins floridos e graciosas árvores tropicais. Está situada tão perto da encosta que mais de uma vez as grandes pedras soltas pelas chuvas rolaram alto da montanha até as cercas nos limites da aldeia. Ao passarmos pela rua, o dr. Fitch era cumprimentado por todos. Sua visita mensal já era esperada e sucediam-se as saudações de "Aloha!" , partindo de todas as portas varandas e janelas.Um grupo mais entusiástico jogava os chapéus para o alto dando vivas ao "Keuka" (o doutor), entremeando a animação com risadas infantis.  Até então, a br...