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Mostrando postagens com o rótulo Conto

A Espada Mágica

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Existe uma história muito, muito antiga, do tempo dos cavaleiros em brilhantes armaduras, sobre um jovem comum que estava com muito medo de testar sua habilidade com as armas, no torneio local. Certo dia, seus amigos quiseram pregar-lhe uma peça e lhe deram de presente uma espada, dizendo que tinha um poder mágico muito antigo. O homem que a empunhasse jamais seria derrotado em combate. Para surpresa deles, o jovem correu para o torneio e pôs em uso o presente, ganhando todos os combates. Ninguém jamais vira tanta velocidade e ousadia na espada. A cada torneio, a notícia de sua maestria se espalhava, e não tardou a ser ovacionado como o primeiro cavaleiro do reino. Por fim, achando que não faria mal nenhum, um dos seus amigos revelou a brincadeira, confessando que o instrumento não tinha nada de mágico, era só uma espada comum. Imediatamente o jovem cavaleiro foi dominado pelo terror. De pé na extremidade da área de combate, as pernas tremeram, a respiração ficou presa...

Irmão Pedro e o Lagarto de Esmeralda

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Irmão Pedro viveu na Guatemala há muitos séculos, mas o bem que ele fez vive ainda hoje na história do seu trabalho. Era pobre e continuou pobre a vida inteira, pois dava tudo o que tinha aos necessitados. Transformou a própria casa, pequena e humilde, num lugar de tratamento para os doentes. Dizem que à noite percorria as ruas tocando um sininho para lembrar às pessoas de agradecer a Deus e compartilhar as graças recebidas. Certo dia Irmão Pedro estava indo para a cidade e encontrou um homem muito pobre sentado à beira da estrada. Ao ver Irmão Pedro, o homem enxugou disfarçadamente uma lágrima.  — Por que está tão aflito, amigo? — perguntou Pedro, percebendo o desespero do outro.  — Estou com problemas sérios — disse o homem. — Minha mulher está doente e precisa de remédios. Meus filhos estão passando fome, mas não tenho dinheiro e não encontro trabalho. Não sei o que fazer. Irmão Pedro olhou para o rosto sofrido e desejou ajudar. Mas suas roupas também estavam ...

Folclore Africano: Por que os polegares são isolados?

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Há muito tempo, reza-se a lenda de que os cinco dedos ficavam bem juntos na mão, lado a lado. Eram rodos amigos. Aonde um ia, seguiam os outros. Trabalhavam juntos, brincavam juntos; lavavam, escreviam e cumpriam seus deveres juntos.  Um dia, os cinco dedos estavam descansando juntos numa mesa quando espiaram um anel de ouro largado ali perto.  — Que anel brilhante! — exclamou o Primeiro Dedo. — Ficaria lindo em mim — declarou o Segundo Dedo. — Vamos pegá-lo! — sugeriu o Terceiro Dedo. — Depressa! Agora, que ninguém está olhando! — cochichou o Quarto Dedo. Já iam pegar o anel quando o Quinto Dedo, chamado Polegar, falou: — Esperem! Não devemos fazer isso! — gritou. — Por que não? — perguntaram os outros quatro dedos. — Porque o anel não nos pertence — disse o Polegar. — É errado pegar uma coisa que não é sua.  — Mas quem vai saber? — perguntaram os outros dedos. — Ninguém vai nos ver. Vamos! — Não! — disse o Polegar. — Isso é roubo. Então os ou...

O Homem Desatento às Portas do Paraíso

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Existe um conto dervixe que relata a história de um homem que, como a maioria de nós, sabia no fundo da alma qual o caminho para o Céu. Sabia que devia amar o próximo como a si mesmo, honrar seus pais e lidar honestamente com todos. Ele sabia como ajudar os necessitados e defender os inocentes. Sabia que a humildade, a paciência e o autocontrole são virtudes sábias.  E esse homem certamente tentava cumprir todas as coisas — mas só de vez em quando. Ele ajudaria um amigo, se por acaso se lembrasse que esse amigo estava passando por necessidade; fazia uma prece de ação de graças, se julgasse conveniente; até dava dinheiro aos pobres, se lhe doesse a consciência pesada. Mas a maior parte do tempo ele se ocupava mesmo é com seus próprios assuntos. Seus hábitos se impregnaram na alma e ele acabou desenvolvendo o defeito da desatenção. As oportunidades para um comportamento exemplar vinham e iam-se; em certas ocasiões chagava a percebê-las, mas de um modo geral nem notava as cha...

O Corvo que Quis Imitar a Águia

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Dentre os clássicos contos antigos, existe um que nos faz refletir sobre a realidade diante das condições que nos são dadas. A soberana águia que subia levando um carneiro aos ares, preso em suas garras, causava desconforto ao corvo que queria imitá-la. O animal que assistia todo o espetáculo, tão voraz quanto a grande ave, embora com capacidade reduzida, fora assaltado pelo desejo que fazer o mesmo. Pôs-se a revoar sobre o rebanho que pastava, procurando o carneiro mais gordo para pô-lo em sacrifício, já que era considerado o verdadeiro acepipe dos deuses. Animado com seu projeto, conjeturava:  "Não sei quem o criou, porém sei que está mesmo em tempo de ser transformado em alimento, e logo eu o terei em minhas garras." E com esses pensamentos, precipitou-se em um vertiginoso mergulho sobre o indefeso animal. Agarrou-o firme, mas — ó, surpresa! — a coragem do corvo era bem mais de vulto que sua força. Pensava o animal que um queijo não pesava tanto quanto a desejad...

La Pietra Scontenta Della Sua Vita Solitaria

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Leonardo da Vinci, além de tudo, era também um fabulista; autor de inúmeras fábulas. O gênio renascentista as escrevia como uma forma de reflexão sobre fatos corriqueiros da vida, utilizando argumentos fascinantes dentro de um universo de fantasias. "La Pietra Scontenta Della Sua Vita Solitaria", que em português fica "A Pedra Descontente De Sua Vida Solitária" faz parte de seu acervo, e, como tal, nos passa uma bela mensagem. Abaixo você pode conferir o vídeo dela em italiano, forma original, em seguida conferir sua tradução para o português. La Pietra Scontenta Della Sua Vita Solitaria Una pietra novamente per l’acque scoperta, di bella grandezza, si stava sopra un certo loco rilevata, dove terminava un dilettevole boschetto sopra una sassosa strada, in compagnia d’erbette, di vari fiori di diversi colori ornata, e vedea la gran somma delle pietre che nella a sé sottoposta strada collocate erano. Le venne desiderio di la giù lasciarsi cadere, dicend...

O Nariz do Camelo

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Há muito tempo me contaram uma história curiosa, em que, numa noite fria, um velho viajante do deserto armou sua tenda para descansar. Quando já estava deitado, seu camelo afastou as abas da entrada e ficou espiando lá dentro — Meu senhor — disse o animal —, permita-me deixar meu nariz aqui dentro. Está bastante frio!  Era um pedido estranho já que os camelos suportam muito mais as noites frias do deserto do que os homens. Mas o viajante não viu problema algum. — Pois bem — bocejou, apático e sonolento depois de um longo dia de caminhada. — Faça como quiser. Então o animal enfiou o nariz dentro da tenda. — Se eu pudesse aquecer o pescoço também... — disse. — Para mim dá no mesmo — respondeu o velho. O camelo avançou o pescoço e distraiu-se durante um certo tempo olhando em torno. Depois de virar a cabeça para lá e para cá, acabou quebrando o silêncio: — Só vai ocupar mais um pequeno espaço se eu colocar minhas patas dianteiras para dentro da tenda. Eu me sentir...

A Lagoa dos Sapos

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Certa vez foi me contada uma história de uma lagoa no meio da floresta onde era localizado o reino dos sapos. O local era considerado o paraíso para a espécie, governado pelas ordens do rei. Este, por sua vez, se encontrava tristonho sentado em seu trono de cogumelo por não ter nada o que fazer. — Não é fácil ser o rei da lagoa — afirmava para seu conselheiro. — Estou submerso em um poço de tédio, tudo se encontra na mais perfeita harmonia!  O súdito, então, ouvindo os lamentos do monarca, sugeriu-o que fizesse uma competição na lagoa e desse as mais nobres honrarias ao vencedor. Pois bem, dito isso, o Rei Sapo não se aguentava dentro de si já que tamanho era seu entusiasmo. Pediu ao escrivão que elaborasse uma carta oficial e colasse no tronco do arbusto às margens da lagoa. Assim, todos poderiam participar. "Caros súditos, contemplarei àquele que subir primeiro na copa do arbusto e me trouxer um ramo de sua flor com tesouros inimagináveis", dizia a tal carta. Log...

O Macaco e o Golfinho

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Na Grécia antiga era costume entre os navegantes levar macacos para seus navios, quando iam viajar. Isso porque tinham tais seres como mascotes que traziam boa sorte nas grandes e perigosas viagens. Um navio que levava alguns desses animais naufragou próximo da costa de Atenas e, se não fosse a presteza com que ocorreram os golfinhos, toda a tribulação teria perecido afogada. Os marinheiros ficaram surpresos e intrigados com a inteligência do cardume, já que desempenharam o papel de salva-vidas. — Que sorte a nossa termos esses animais por perto! — diziam uns aos outros. Pois bem, o brilhante cardume pôde evitar o terrível naufrágio, e este feito não ficou perceptível apenas aos homens. Um macaco, valendo-se de sua semelhança física com os seres  humanos, achou que também tinha direito à salvação. De fato, um dos golfinhos o tomou como homem, levando-o através dos mares em cima de seu dorso. Já se aproximavam da praia, quando o salvador, numa tentativa de ser agradável, pe...

A Corte do Leão

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Sua Majestade, o leão, manifestou certa vez o desejo de conhecer todos os povos, dos quais, por graça divina, era amo e senhor. Para reunir os súditos num local possível, enviou para todos os cantos do globo um mensageiro que levava consigo a convocação em forma de carta, autenticada com o selo real, a fim de que os vassalos pertencentes a todas as categorias sociais tomassem conhecimento do grandioso evento. Na correspondência estava escrito que num período de trinta dias haveria uma festança ininterrupta, começando por um banquete onde nobres e plebeus se reunissem. Após a comilança, os comensais teriam por diversão as graças do gentil senhor macaco, que amavelmente se oferecera para distraí-los. Com estas demonstrações de riqueza, o rei desejava mostrar ao súditos todo o seu poderio. Quando chegaram à corte do reino, os vassalos, numa concessão real especial, foram recepcionados na entrada do palácio. E que palácio!  Os visitantes, todavia, ficaram assombrados e enojado...

Histórias de Tia Nastácia: O Camponês Ingênuo

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Na obra mais famosa de Monteiro Lobato, Sítio do Pica-Pau Amarelo , existe um volume que reúne as brilhantes histórias de Tia Nastácia, sendo uma delas O Camponês Ingênuo ; pequena narrativa que nos faz refletir sobre a terrível "esperteza" dos malfeitores em contraste com a ingenuidade daqueles que creem na boa ação do próximo. De fato, trata-se de uma ótima oportunidade para se rever valores distorcidos e ponderar a confiança depositada ao ser humano sem regras. Confira: Era um camponês muito ingênuo, que um dia partiu para a cidade de Bagdá a fim de vender uma cabra; foi montado num jumento, a puxar a cabra, que ia, tlin , tlin , tlin , com um cincerro ao pescoço. Três ladrões resolveram roubá-lo. — Eu me encarrego de furtar a cabra — disse um deles. — E eu, de furtar o jumento — disse o segundo. — E eu, de furtar-lhe as roupas — disse o terceiro. Assim combinados; os três malandros seguiram o pobre camponês. O primeiro deu jeito de passar a campainha do p...

A Montanha Que Gerou Um Rato

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Esopo nos conta em uma de suas fábulas sobre uma montanha parturiente que fazia tanto barulho, em meio a gemidos e gritos, que os moradores dos arredores pensavam que ela geraria uma imensa cidade, pelo menos do tamanho de Paris. Mas foi grande a estupefação de todos: após laborioso trabalho de parto, nascera apenas um ratinho. Esta pequena história ganhou várias versões ao longo do tempo, todavia sua moral continua a mesma. De forma contemporânea, hoje é feita a famosa tempestade em um copo d'água. Porém, todas as vezes que me recordo da absurda montanha colossal, muito verdadeira em seu sentido, me vem à mente uma passagem que li em um livro de contos cujo poeta eu desconheço. Foi algo mais ou menos assim: Canto em versos pujantes A terrível guerra Que audazes gigantes Do céu e da terra A Júpiter levam, Tentando eles em vão Quando se sublevam  Vencer o deus do trovão. Se prestarmos atenção neste trecho do poema, perceberemos que todo esse arrojo e vale...

As Orelhas da Lebre

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Certa vez um animal possuidor de longos chifres feriu traiçoeiramente o poderoso leão, que, enraivecido com a deslealdade do ataque e também para que não se repetisse aquilo, expulsou de seus domínios todos os animais que ostentassem chifres. Carneiros, cabras e touros, ao saberem da notícia, puseram-se em debandada, temendo o castigo do selvagem monarca. E tão grande era o temor inspirado pelo leão, que em meio aos fugitivos viam-se até gansos e corças, que, na ânsia de escapar ao perigo iminente, optaram pelo exílio.  Uma lebre, vendo projetada na parede a sombra de suas orelhas, teve receio de que algum perseguidor as tomasse por chifres. — Adeus, meu vizinho — disse ao grilo —, sou obrigada a abandonar meu país, pois estou certa de que no fim de tudo dirão que minhas orelhas são chifres e passarão a perseguir-me. — Ora — respondeu o grilo —, achas que sou bobo para vires dizer-me tamanha asneira? Quem não vê logo que o que tens não passa de orelhas? — Eu seu disso,...

O Coelho e os Índios

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Excelente é a reflexão que nos é proporcionada ao conhecermos o conto dos índios iroqueses que, apesar da simplicidade, engloba temas relevantes para o cotidiano. Imaginem um grupo de índios que encontra um coelho no meio da estrada e, impiedosos, começam a atirar flechas para matá-lo; é exatamente dessa forma que a narrativa começa. Todavia, as flechas não machucam o animal indefeso até que algo sobrenatural acontece na mata, na presença do grupo. De fato, apenas aqueles dispostos a enxergar a verdade conseguem desfrutar de seus dons — nenhum integrante do grupo foi sábio o suficiente. Claro os corações  cheios de humildade, bondade e compaixão poderiam compreender qual era o verdadeiro objetivo do coelho, de tal modo que a fábula nos leva a entender que milagres acontecem a todo momento e muitos são os desacreditados e cegos em meio às suas convicções. Por isso a importância das virtudes. É fundamental agirmos em constante harmonia com o próximo pois os dons recebidos d...

A Torrente e o Rio

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O encontro das águas com as pedras produzia formidável estrondo. A queda era de vários metros de altura e a torrente se precipitava fremente e espumante. Todos fugiam do terrível caudal e o horror seguia seu itinerário, tremendo toda a campina em torno. Não havia viajante, por mais intrépido que fosse, capaz de enfrentar aquela barreira. Certo dia, viu-se um homem sem outra alternativa senão arrojar-se à corrente, ameaçado como estava por vários assaltantes que lhe vinham no encalço. Fez mentalmente uma prece e atirou-se na água. As ameaças não eram nada mais que simples ruídos. A torrente não tinha mais que poucos palmos de fundo e o homem fugitivo não se expôs a nenhum perigo mais do que os desenhados em sua imaginação fantasiosa. A coragem apoderou-se daquela viajante. Se conseguira arrostar a fúria da terrível torrente e saíra ileso, nada mais havia que pudesse causar-lhe medo. O êxito do ato aumentava-lhe cada vez mais a coragem. Como se os ladrões não tivessem desistid...

A Velha Fábula da Raposa e as Uvas

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Esopo foi um fabulista que viveu na Grécia Antiga; suas fábulas e histórias são conhecidas mundialmente nos dias atuais e muitas foram reescritas por autores famosos, como Jean de La Fontaine, autor francês que viveu no século XVII. Um dos exemplos mais famosos é a fábula da Raposa e as Uvas, que será apresentada aqui numa versão própria tendo como objetivo ensinar que quando não aceitamos as nossas próprias limitações, perdemos a oportunidade de corrigir as nossas falhas… Ou seja, é fácil desdenhar daquilo que não se alcança! Uma raposa natural da Gasconha, embora seja confundida como normanda — povo medieval que se estabeleceu ao norte da França —, estava quase morta de inanição. Ia andando à procura de algo que lhe amenizasse a fome, quando viu no alto de uma parreira alguns cachos de uvas, que, a julgar pela cor arroxeada dos frutos, estavam no ponto de serem colhidos. Então o animal se aproximou espreitando ao redor e mal se continha pois tamanha era a vontade de deliciar-s...

A Morte de Pã

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Pã era conhecido  como o deus dos pastores, caçadores e todas as coisas selvagens que na terra habitavam. Famosa era sua estranheza; tinha dois pequenos chifres de bode e pernas peludas do mesmo animal com delicados cascos. Era fácil de encontrá-lo em lugares solitários e primitivos, onde costumava tocar seu conjunto de flautas de junco. O ser das florestas emitia suaves melodias de seu instrumento devido à ninfa Siringe, por quem caíra de amores. Esta, por sua vez, fugiu de Pã com toda indolência, sempre rogando aos deuses que a transformassem em junco a fim de não ser encontrada. De nada adiantara! Sendo adorado pelos egípcios e pelos gregos, a criatura era capaz de demonstrar sua presença através de sensações de terrível medo, fazendo com que fugissem de pânico — talvez por sua aparência um tanto quanto assustadora. E um fato interessante é que, mesmo preferindo lugares silenciosos, era notado em meio às pessoas.  É sabido que o mesmo falecera misteriosamente, sem p...

A Lenda de Eco e Narciso

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A mitologia grega nos faz refletir em meio às suas histórias sobre sentimentos profundos oriundos de seres humanos, cuja experiência é apenas mundana. Todavia, tais histórias leva-nos ao místico mundo de deuses e seres fantásticos que embarcam no imenso emaranhado de emoções, beirando à loucura. Exemplos a serem citados são os personagens Eco e Narciso, ambos traídos por suas virtudes. Num tempo onde diferentes hábitos eram praticados todos os dias, eram contadas essas lendas para o povo, e eles acreditavam fielmente no ocorrido, sem nem passar por suas cabeças o destorcimento da verdade. Um fato interessante a ser analisado é que com o passar dos anos a humanidade foi desvendando os mistérios da natureza e desmistificando as coisas, porém, ainda hoje, os contos passados naquela época são os mais famosos do mundo. O motivo? O peso da história junto as emoções humanas num contexto fantasioso, enriquecido culturalmente!  Tendo, de tal modo, mera semelhança com a realidade, co...

O Trabalho das Gotas de Chuva

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Tive um prazer de narrar uma linda fábula em sua língua original, capaz de nos fazer refletir sobre a importante tarefa que uma simples gota d´água tem e o papel que desempenha desde o momento em que deixa as nuvens do céu até as nascentes vindas das profundezas da terra. Isso tudo contado num clima fantasioso e místico entre a conversa de um esquilo e um pisco-de-peito-ruivo. Você pode conferir sua versão original assistindo ao vídeo abaixo, foi retirada do livro The Royal Crown Readers, mencionado na publicação Livros para Desenvolver Habilidades Humanitárias , mas, caso prefira, tomei a liberdade de desenvolver uma própria versão na língua portuguesa, com algumas modificações, mas sem alterar a premissa.  O TRABALHO DAS GOTAS DE CHUVA "Mas o que pequenas gotas de chuva podem fazer?" perguntou o pisco-de-peito-ruivo para o esquilo, enquanto sentavam-se às margens claras de um riacho para conversarem em uma agradável manhã. Os outros amigos do pisco deixara...

A Panela de Ferro e a de Barro

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A panela de ferro propôs à de barro que empreendessem uma viagem. Esta, alegando que lhe seria mais conveniente ficar sobre o fogão, pois era muito frágil e o menor esbarrão seria o suficiente para quebrá-la, recusou-se à façanha. — Tu és feita de material mais resistente e podes aventurar, na certeza de que nada te pode causar dano — explicou a convidada. Não satisfeita com a recusa da companheira, a panela de ferro retrucou: — Não te preocupes com isso, que estarei sempre perto de ti para proteger-te. Se algum objeto te ameaçar, defenderei-te, antepondo meu duro corpo. Convencida da sinceridade da panela de ferro, a de barro resolveu sair à cata de emoções, ao lado da amiga. E não tardou que se pusessem a caminho, com o andar coxo e trôpego que lhes permitiam as três pernas que possuem. E assim iam esbarrando uma na outra, ao menor acidente da estrada, e tantos foram os encontrões, que não tinham ainda dado cem passos e a panela de barro foi feita em pedaços, num golpe m...