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Mostrando postagens com o rótulo Introspecção

A Metamorfose, de Franz Kafka

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Nesse jogo de objetividade, o assombroso ganha moldes de angústia e descontrole; a fantasia do inacreditável se esconde com o manto da realidade obscurecente que inebria a razão dos leitores. Estes lançam uma pergunta: o que é que aconteceu? E no coro melancólico de incertezas, as linhas da metamorfose vão lapidando a percepção de valores que abrange desde a singela apreciação da arte até os conceitos tortuosos da metafísica. Ler A Metamorfose, de Franz Kafka, é ter a oportunidade de navegar por interpretações metafóricas ou permanecer contemplando a intenção denotativa das palavras. De qualquer modo, a narrativa traz consigo uma série de compreensões sobre o cotidiano trivial do protagonista que é surpreendido por sua metamorfose em determinada manhã. Gregor Samsa se transforma em um inseto repugnante e a partir daí sua vida muda drasticamente. Assim vamos nos aprofundando pelas dores do personagem que antes era o esteio da família, mas que agora se resume no rastejar em torno de sua ...

Arquivos do Mal-Estar e da Resistência, de Joel Birman

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Para início de conversa, preciso dizer que esta obra é extremamente rica e completa no assunto tratado pela mesma, porém feita para um público seleto, já que se trata de um livro teórico e interdisciplinar da área da psicologia e psicanálise; mas isso não exclui a possibilidade de pessoas de outras áreas, assim como eu, se interessar pelo tema. Como o próprio nome já diz, Arquivos do Mal-Estar e da Resistência percorre uma série de problemáticas que constituem o campo do mal-estar na atualidade, impondo a indicação de como se conjugam para se evidenciar em sua formalidade. O nome "arquivo" se dá, de fato, devido a estas mesmas problemáticas, evidenciadas por Birman, serem estabelecidas como fios que definem o recorte do conjunto da obra. E a resistência acontece, inevitavelmente, pois indica a efetividade de desejo que circula pelos corpos, pelo qual o contrapoder se opõe às artimanhas da fragmentação e do poder. De certo, o livro convida o leitor a se aventurar ...

La Pietra Scontenta Della Sua Vita Solitaria

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Leonardo da Vinci, além de tudo, era também um fabulista; autor de inúmeras fábulas. O gênio renascentista as escrevia como uma forma de reflexão sobre fatos corriqueiros da vida, utilizando argumentos fascinantes dentro de um universo de fantasias. "La Pietra Scontenta Della Sua Vita Solitaria", que em português fica "A Pedra Descontente De Sua Vida Solitária" faz parte de seu acervo, e, como tal, nos passa uma bela mensagem. Abaixo você pode conferir o vídeo dela em italiano, forma original, em seguida conferir sua tradução para o português. La Pietra Scontenta Della Sua Vita Solitaria Una pietra novamente per l’acque scoperta, di bella grandezza, si stava sopra un certo loco rilevata, dove terminava un dilettevole boschetto sopra una sassosa strada, in compagnia d’erbette, di vari fiori di diversi colori ornata, e vedea la gran somma delle pietre che nella a sé sottoposta strada collocate erano. Le venne desiderio di la giù lasciarsi cadere, dicend...

A Montanha Que Gerou Um Rato

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Esopo nos conta em uma de suas fábulas sobre uma montanha parturiente que fazia tanto barulho, em meio a gemidos e gritos, que os moradores dos arredores pensavam que ela geraria uma imensa cidade, pelo menos do tamanho de Paris. Mas foi grande a estupefação de todos: após laborioso trabalho de parto, nascera apenas um ratinho. Esta pequena história ganhou várias versões ao longo do tempo, todavia sua moral continua a mesma. De forma contemporânea, hoje é feita a famosa tempestade em um copo d'água. Porém, todas as vezes que me recordo da absurda montanha colossal, muito verdadeira em seu sentido, me vem à mente uma passagem que li em um livro de contos cujo poeta eu desconheço. Foi algo mais ou menos assim: Canto em versos pujantes A terrível guerra Que audazes gigantes Do céu e da terra A Júpiter levam, Tentando eles em vão Quando se sublevam  Vencer o deus do trovão. Se prestarmos atenção neste trecho do poema, perceberemos que todo esse arrojo e vale...

A Torrente e o Rio

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O encontro das águas com as pedras produzia formidável estrondo. A queda era de vários metros de altura e a torrente se precipitava fremente e espumante. Todos fugiam do terrível caudal e o horror seguia seu itinerário, tremendo toda a campina em torno. Não havia viajante, por mais intrépido que fosse, capaz de enfrentar aquela barreira. Certo dia, viu-se um homem sem outra alternativa senão arrojar-se à corrente, ameaçado como estava por vários assaltantes que lhe vinham no encalço. Fez mentalmente uma prece e atirou-se na água. As ameaças não eram nada mais que simples ruídos. A torrente não tinha mais que poucos palmos de fundo e o homem fugitivo não se expôs a nenhum perigo mais do que os desenhados em sua imaginação fantasiosa. A coragem apoderou-se daquela viajante. Se conseguira arrostar a fúria da terrível torrente e saíra ileso, nada mais havia que pudesse causar-lhe medo. O êxito do ato aumentava-lhe cada vez mais a coragem. Como se os ladrões não tivessem desistid...

A Velha Fábula da Raposa e as Uvas

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Esopo foi um fabulista que viveu na Grécia Antiga; suas fábulas e histórias são conhecidas mundialmente nos dias atuais e muitas foram reescritas por autores famosos, como Jean de La Fontaine, autor francês que viveu no século XVII. Um dos exemplos mais famosos é a fábula da Raposa e as Uvas, que será apresentada aqui numa versão própria tendo como objetivo ensinar que quando não aceitamos as nossas próprias limitações, perdemos a oportunidade de corrigir as nossas falhas… Ou seja, é fácil desdenhar daquilo que não se alcança! Uma raposa natural da Gasconha, embora seja confundida como normanda — povo medieval que se estabeleceu ao norte da França —, estava quase morta de inanição. Ia andando à procura de algo que lhe amenizasse a fome, quando viu no alto de uma parreira alguns cachos de uvas, que, a julgar pela cor arroxeada dos frutos, estavam no ponto de serem colhidos. Então o animal se aproximou espreitando ao redor e mal se continha pois tamanha era a vontade de deliciar-s...

O Veneno da Vaidade

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A lenta e corrosiva vaidade, que toma a razão daqueles que por ela são infectados, é considerada como pecado capital cujo modelo egocêntrico torna-se o motivo para se potencializar. Tal sensação egoísta possui registros tão antigos quanto as pirâmides do Egito, e, assim como elas, atravessou as eras arrastando seus pesos materialistas consigo. Não é à toa que sua representação passou a ser uma caveira em torno de bens materiais, sendo que a mais famosa das pinturas, produzida por Charles Allan Gilbert em 1892, mostra uma mulher se enfeitando em sua penteadeira; seu reflexo finaliza a maestria da obra, e como um todo, nossos olhos veem o crânio na imagem, vazia e isenta de futilidade. Pois assim como as telas expostas em museus, os antigos contistas também registraram suas experiências de vaidade. Narciso, por exemplo, foi traído pela mesma ao se debruçar no leito do lago e definhar-se com o tempo. Sua lenda já foi contada aqui, tanto em vídeo quanto em texto, e você pode con...

A Casa da Grande Colina, de Catia Schmaedecke

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Quão inspirador é o clima do nosso país, capaz de formar belas histórias? Resposta difícil de se ter, afinal de contas, ao longo de todo esse tempo escrevendo resenhas literárias, pude perceber a magnífica diversificação cultural que vai do norte ao sul do nosso imenso Brasil. Todavia, devo confessar que estava sentindo falta de cenários sulistas, com suas paisagens fantásticas altamente descritas por entre as páginas, seu clima diferenciado, suas culturas e, até mesmo, o jeito de falar. O sul do Brasil, de fato, tem muito a nos oferecer, e, em meio a essa busca literária, eis que surge A Casa da Grande Colina, com tudo o que estava procurando e mais um pouco. A obra nos proporciona uma verdadeira viagem, graças à escrita da autora Catia Schmaedecke, que ousou ao transmitir a beleza e esplendor do Rio Grande do Sul, garantindo um resultado magnífico que se completa com a trama principal. Além disso, o exemplar conta, também, com a miscigenação italiana, pelo fato dos person...

O Rato Que Se Retirou Do Mundo

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É clássica a antiga fábula que nos conta sobre certo rato, que desenganado das coisas deste mundo, resolveu dele retirar-se, tornando-se ermitão, passando a viver no interior de um queijo do reino. Ali dentro, o eremita encontrara, enfim, o sossego e a paz tão desejados, graças aos seus esforços feitos com unhas e dentes para cavar o queijo e fazer de seu interior um local agradável onde pudesse viver a seu gosto. Tinha tudo de que necessitava, pois sua habitação era como um armazém bem provido, de forma que em poucos dias já se encontrava bem roliço com os pelos macios e sedosos, igual a um veludo. Já se passavam muitos dias desde que se isolara o animalzinho, quando alguns mensageiros de seu povo acorreram à sua nova residência em busca de socorro. O clã dos felinos bloqueara Ratópolis. Os próceres da cidade espalharam-se por terras estranhas, procurando auxílio para a tortuosa batalha contra os gatos. Tal missão se tornava mais delicada pelo fato das verbas do estado onde os ...

O Acordo do Rebanho e a Alcateia

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Existe um antigo conto que nos narra a história de um acordo feito entre os lobos e as ovelhas que, depois de mais de mil anos de guerra entre si, resolveram, então, pela paz entre as duas raças, selar novamente a amizade de outrora.  Esse acordo era vantajoso para os dois animais, pois, se era verdade que de vez em quando um lobo devorava uma ovelha, não o era menos que, também, às vezes os pastores matavam os lobos, fazendo de sua pele confortáveis agasalhos. E dessa forma nem as ovelhas tinham sossego para pastar, nem os lobos quando saíam à caça. Umas e outros estavam em contínuo sobressalto. Portanto, em benefício de todos, era muito oportuno o tratado de paz. Como garantia de que todos os quesitos do tratado seriam observados, os lobos deram seus filhotes como reféns, o mesmo acontecendo com relação à outra parte interessada, as ovelhas, que entregaram os mastins de sua guarda. E a troca de reféns foi feita com toda a solenidade. Pouco tempo se passara desde est...

As Cinco Pessoas Que Você Encontra No Céu, de Mitch Albom

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As Cinco Pessoas Que Você Encontra No Céu, escrito por Mitch Albom, é um livro que simplifica a vida de uma forma espetacular. Lindamente triste, a história se passa em torno do personagem principal, Eddie, mecânico chefe de um parque chamado Ruby Pier. Eddie tinha o sonho de se tornar engenheiro, mas depois que foi convocado à guerra, abriu mão de seus objetivos. Quando voltou, já não tinha mais o mesmo entusiasmo de antes, e os acontecimentos fizeram com que se acomodasse. No decorrer do livro vamos descobrindo toda a sua história, e o porquê dele ter tido uma vida aparentemente normal e melancólica. Passara a vida toda trabalhando no Ruby Pier e acabou morrendo num trágico acidente no parque, que é narrado logo no princípio da história, pois a maior parte dela se passa em suas experiências pós-vida. Ao chegar no céu, ele começa a ter as respostas das perguntas que o atormentava, e percebe que nada do que fizera foi por acaso. Ao ser recebido por cinco pessoas - uma de cad...

Humildade e as Raízes Terrenas

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De acordo com o Abade Christopher Jamison em seu livro, temos que começar examinando a origem da palavra humildade para compreender seu real significado. Sua raiz é a palavra latina "humus", que significa solo ou terra. A partir daí, segue-se uma definição pragmática: ser humilde é ser prático e simples, ter os pés no chão. O que se pressupõe ser também realista, honesto e verdadeiro. A raiz também conecta humildade à humanidade, porque ser humano é ser feito do "humus". "Homo Sapiens" é o pedaço de terra que sabe que está vivo, uma revelação magnificamente expressa no Livro do Gênesis. Adão é alguém feito a partir de "admah", a palavra hebraica para solo, chão.  Ele é "sapiens" porque tem conhecimento, é capaz de dar nome às coisas e escolher quais frutos do paraíso desfrutar. Mas o único que ele não pode apreciar é o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Esse conhecimento significaria que ele é divino, pois só Deus...

Thomas Merton e o Monge do Deserto

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Nascido na França em 1915, Thomas Louis Merton, um homem de sabedoria monástica captou a imaginação do século XX, da mesma forma que os monges ancestrais do deserto fizeram no século IV. Voltou à casa da família materna nos Estados Unidos para escapar da Primeira Guerra Mundial. Após a morte da mãe, frequentou a escola e a universidade na Inglaterra, retornando aos Estados Unidos, em 1935, para frequentar a Universidade de Columbia. Merton vinha de uma família protestante sem fervor religioso. Mas, em 1938, ele vivenciou uma profunda conversão ao Catolicismo. No ano em que os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial - 1941 -, ele ingressou no mosteiro de Getsêmani, no Kentucky, onde viveu o resto da vida. Em meio a uma jornada ao Extremo Oriente, em 1968, Merton faleceu. Chamado de "Lama Americano" pelo próprio Dalai Lama, elogio que é, talvez, o equivalente moderno a ser reconhecido como um monge do deserto da nossa era. Em 1948, ele publicou "Semente...

O Caminho e a Arte Japonesa

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No Japão, o dojô é muito mais que uma instalação de treinamento para praticantes de artes marciais. Um dojô é qualquer instalação formal de treinamento, onde os membros aprendem e praticam atividades físicas e formas de arte, especificamente as formas "do". O sufixo "do" significa o caminho de, e geralmente indica que a técnica em questão tem um elemento espiritual. Desde a era Meiji (1868 a 1912), os praticantes das artes marciais japonesas adotaram esse sufixo para os nomes das artes marciais, como Aikidô, Judô e Kendô. Na cultura japonesa, o dojô é uma estrutura simbolicamente importante. O treinamento prático é usualmente conduzido fora do edifício, ao passo que o interior é usado para atividades mais ritualísticas e como um mostruário de artefatos e armas associados ao dojô e seus membros. O dojô é cuidado e mantido pelos estudantes que, no final de cada sessão de treinamento, realizam um ritual "souji" ou limpeza. A importância desse posto per...

A galinha realmente atravessou a rua?

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No passado, galinhas não eram mantidas em fazendas de produção intensiva como são hoje em dia. Há 150 anos, galinhas eram animais domésticos comestíveis, capazes de fornecer ovos e carne em ocasiões especiais. Por essa razão, era, sem sombra de dúvidas, comum pessoas presenciarem galinhas atravessando de um lado para o outro as ruas, procurando comida ou abrigo. Sendo assim, houve um momento que um inglês, querendo fazer uma piada, perguntou o porquê da galinha atravessar a rua, e nesse dia, nasceu na Inglaterra, uma das mais famosas piadas de todo o mundo. Mas não é esse realmente o significado da piada. A primeira explicação é que se trata de uma piada anticlímax. Aquele que conta, indicado pela expectativa e expressão facial de quem está contando uma piada, se torna engraçado, mas quando vem a resposta, é simples e direta. A segunda possibilidade, diz que a piada é um jogo de palavras. Há dois significados na resposta "para chegar do outro lado". O mais obvio, sig...

Clemência à Calhandra

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A lei do universo é esta: se deseja clemência, seja também clemente. As injustiças dos maus servem muitas vezes de desculpa para nossas más ações. Certa vez, um campônio saiu para caçar passarinhos, atraindo-os com um espelho. O brilho do objeto atraiu uma calhandra. Imediatamente um gavião, que sobrevoava os campos, precipita-se sobre a avezinha, que cantava ao lado da armadilha, sem conceber o perigo que correra, por aproximar-se tanto. Mas de nada lhe valeu a felicidade de ter escapado ao engenho humano, pois tão logo se viu livre daquele perigo caiu nas garras do gavião, sentindo as unhas pontiagudas adentrarem sua carne. Estava o gavião ocupado em depenar a presa e por isso não viu que, num movimento mais amplo, poderia ser colhido pela armadilha da qual há pouco escapara a calhandra. E esse movimento foi feito. — Senhor caçador — disse o prisioneiro no seu estranho linguajar — tende piedade de mim e solte-me . Eu não vos fiz nenhum mal. Contudo, o caçador replicou: —...

Consolo à Solidão

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Houve a publicação de várias obras póstumas de Humberto de Campos que falecera em 1934, deixando grande carga cultural para a humanidade. Mesmo vinte anos após sua morte, existia ainda material a ser publicado, dentre eles, uma crônica escrita no ano de 1931 chamada " A Consoladora". Nenhum rajá da Índia possuíra, jamais, um séquito como o daquele rei. Senhor de minas inesgotáveis, em que brilhava o ouro e a prata e rutilavam o diamante e a ametista, o rubi, a safira o topázio, a esmeralda, uma infinidade, em suma, de pedras luminosas e estranhas, aquele monarca vivia na opulência, mas cumprindo, na terra, um a terrível sentença: andar, continuamente, eternamente, perpetuamente, e sempre, dia e noite, na mesma direção. Foi para minorar esse castigo que ele organizou aquela comitiva soberba convidando para sua companhia todos os príncipes e princesas dos reinos vizinhos. A Amizade, a Riqueza, a Mocidade, a Fé, a Esperança, o Amor, o Ódio, a Caridade, a Ternura, a Tolerâ...

Como entender os paradigmas?

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De acordo com o Dicionário Aurélio, o termo “paradigma” significa “modelo”, “padrão”. Na atualidade, tem sido usado com frequência nas mais diversas áreas do conhecimento – educação, economia, política, religião, estética, entre outras. Na década de 60 (séc. XX), essa palavra foi utilizada pelo físico Thomas Kuhn para mostrar ao mundo científico que leis, teorias e modelos aceitos pela prática científica são exemplos de paradigmas que podem sofrer mudanças. A partir daí, outras noções sobre o termo foram surgindo. Uma delas se refere ao modo como cada pessoa percebe o mundo, em razão das suas crenças, dos seus valores, da sua experiência de vida, entre outros aspectos. O paradigma é também conceituado como um conjunto de pressuposições por meio do qual é possível predizer e compreender as mudanças que vêm ocorrendo no mundo e lidar com a quantidade de informações produzidas e transmitidas entre os continentes a uma velocidade impressionante. Outro conceito de paradigma está ...

Sábio e caridoso, segundo Esopo.

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Conta-nos Esopo que certa vez um homem, que tanto tinha de caridoso como de imprevidente, encontrou em sua propriedade, num dia em que saía a visitá-la, uma serpente enregelada, estendida sobre um galho. Tal como estava, aquela víbora não viveria mais que um quarto de hora. O imprevidente homem apanha e, enrolando-a num quente pedaço de lã, leva-a para casa. Lá chegando, estende-a perto da lareira, sem nem ao menos imaginar o que poderia ter por paga. Apenas começou a correr-lhe pelo corpo aquele agradável calor emanado das achas da lareira, a serpente recobra ânimo e a traição volta a habitar, como sempre o fizera, naquele traiçoeiro animal. Quando se sentiu senhora de todas suas ações, com todas as faculdades de planejamento, o réptil ergueu um pouco a cabeça, lançou um sibilo, enrolou-se sobre si mesma e armou o bote, tendo por mira seu benfeitor. – Hás de pagar-me, animal traiçoeiro – exclamou o homem, livrando-se do mortal bote com um rápido movimento para o lado. É assi...

Os Segredos da Perseverança.

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É certo que todas as jornadas de vida passam em trechos ásperos. Todos somos testados e chamados à ordem por ocasionais percalços na estrada, surpresas desagradáveis, atrasos irritantes, acidentes e enganos que aborrecem. Há momentos que o mundo inteiro parece estar desmoronando. A adversidade ocupa uma boa parte da vida, e quanto mais cedo aprendemos a lidar com ela, mais suave a mesma se torna. Virtudes como a perseverança deve ser guiadas pela sabedoria prática. Vemos atuar a verdadeira concentração, o emprego do pensamento e do talento na execução de uma tarefa à qual se dedicam toda a mente e coração. E testemunhamos a coragem da imaginação, quando ousamos nos aferrar a ideias que valem a pena, apesar de todos insistirem que são equivocadas. Se encarados da maneira correta, é claro, a maioria dos problemas que encontramos na vida tornam-se oportunidades de conhecer e aumentar a força das nossas virtudes. Os golpes de adversidade podem ser excelentes chances para melhorar...