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Mostrando postagens com o rótulo Fantasia

Escrever Fantasia: Um Escape à Realidade

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Depois de muito desbravar a escrita realística, passando de crônicas às resenhas literárias, com opiniões formadas sobre conceitos estéticos reais, adentrei no mundo da fantasia que já vinha consumindo pela leitura como um viés a ser explorado. Confesso que me surpreendi.  O concurso Raças da Fantasia, no perfil de mesmo gênero do Wattpad, foi o insight necessário para que eu pudesse adentrar a noite criacionista sem limites nos extremos. A regra era escrever sobre reinos que, por um enredo, eram conectados em suas diferenças. Daí que surgiu Tarnin: O Desbravador da Tempestade. Foi uma experiência fantástica criar tudo do zero, partindo das características dos três grandes povos e indo ao encontro de um desfecho que unisse às diferenças em uma única premissa. Por fim, nasceu um conto de quase quatro mil palavras para se encaixar às regras da seletiva. Digo que minha mente viajou enquanto imaginava as cenas e as punha no papel. Era uma verdadeira canção sendo composta. Uma sensação ...

O Rouxinol e a Rosa: Um Contraste Material e Sentimental

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Debrucei-me na janela literária de Oscar Wild e pude contemplar o vasto campo emocional de suas palavras. Não pretendo fazer uma análise ou resenha da obra por ora, mas uma simples reflexão contrastada nos valores contidos no conto, bem como a moral extraída de matizes emocionais gotejados pela melancolia eterna de clássicas tragédias.  Atentemo-nos ao resumo: um homem convida uma senhorita ao baile. A mesma diz que só aceitaria se o cavalheiro lhe trouxesse uma rosa vermelha. Tomado de tamanho êxtase, o personagem sai cantarolando pelas ruas na esperança de encontrar a rubra flor em seu jardim para entregá-la a donzela. O mesmo então é surpreendido ao chegar em casa e perceber que em meio às inúmeras roseiras nenhuma se faz de rosas vermelhas.  Por conseguinte, o rapaz entra em profunda tristeza. Assim, o autor nos introduz a parte lúdica e extraordinária da narrativa. Um rouxinol que voava pelas redondezas emanando alegria por onde passava presencia todo o ocorrido e se como...

Sal, de Letícia Wierzchowski

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Contrastada ao o nome minimalista, Sal, a obra envereda-se pelas profundezas oceânicas de romances proibidos e aventuras avassaladoras, enraizando emoções em solos inexplorados aos leitores ansiosos por saberem o desfecho da trama. Encarar as páginas do livro de Wierzchowski é como navegar por águas turbulentas, desenvolvendo o desejo voraz de desvendar cada vez mais os mares das paixões descritas pela autora. E quantas são essas paixões... Latentes e esconsas, momentâneas e duradouras. Seja pelo cenário ou pelos personagens. Tudo se conecta com a maresia da história que engendra-se a partir da tradição familiar e do amor que move cada personagem ao seu caminho. A poesia em forma de narrativa tecida nos capítulos do livro circunda a ilha de La Duiva com seu farol de luz vacilante. A matriarca da família Godoy reflete sua solidão e tristeza pelas mãos de tecelã, recordando tempos distantes onde sua família estava reunida pela ilha e o farol era um colosso aos homens desorientados que na...

O Legado do Inverno, de Filipe Penasso

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Contextos fabulísticos têm o poder de nos conduzir pelas veredas da realidade em meios reluzentes da fantasia. Estar em sintonia com a literatura diz respeito entender a proposta ilustrativa, que condiciona o tema ao nosso cotidiano, fazendo-nos experienciar na pele o que as fábulas nos oferecem. Dito isto, O Legado do Inverno enlaça paixão e sonho em cenários extremos, permitindo-nos vivenciar o sentimento mais profundo da alma contraposto ao desejo mais ardente da mesma; em outras palavras, trata-se da ilustração comparativa que um desejo pode causar em nossas vidas quando não vivido em sintonia com os sentimentos que regem o mesmo. A estória caminha junto à paixão de duas aves diante da chegada do inverno: Beija-flor, senhor dos jardins e das flores, com o forte desejo de buscar o calor do sol em terras distantes; Pisco-de-peito-ruivo, graciosa cantante das cores do entardecer, com o objetivo de realizar seu sonho mais abrasador: entender os mistérios do inverno. Nesse jogo d...

Folclore Africano: Por que os polegares são isolados?

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Há muito tempo, reza-se a lenda de que os cinco dedos ficavam bem juntos na mão, lado a lado. Eram rodos amigos. Aonde um ia, seguiam os outros. Trabalhavam juntos, brincavam juntos; lavavam, escreviam e cumpriam seus deveres juntos.  Um dia, os cinco dedos estavam descansando juntos numa mesa quando espiaram um anel de ouro largado ali perto.  — Que anel brilhante! — exclamou o Primeiro Dedo. — Ficaria lindo em mim — declarou o Segundo Dedo. — Vamos pegá-lo! — sugeriu o Terceiro Dedo. — Depressa! Agora, que ninguém está olhando! — cochichou o Quarto Dedo. Já iam pegar o anel quando o Quinto Dedo, chamado Polegar, falou: — Esperem! Não devemos fazer isso! — gritou. — Por que não? — perguntaram os outros quatro dedos. — Porque o anel não nos pertence — disse o Polegar. — É errado pegar uma coisa que não é sua.  — Mas quem vai saber? — perguntaram os outros dedos. — Ninguém vai nos ver. Vamos! — Não! — disse o Polegar. — Isso é roubo. Então os ou...

Sussurros do País das Maravilhas, de A. G. Howard

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A fantasia, de fato, é um universo paralelo criado por mentes brilhantes cujo ofício concentra-se em fazer dos leitores, verdadeiros viajantes desse emaranhado de ideias insanas. Não é segredo o meu apreço pela ficção que transborda suas possibilidades para além daquilo que é cabível no mundo real, permitindo experiências singulares e devaneios que só os desbravadores dessas páginas conhecem. E digo isso pois compartilho da mesma ideia da autora  A. G. Howard que, logo na sua apresentação, afirma querer inspirar mais leitores a se interessarem pelas histórias que ela aprendeu a amar na infância. Assim, Sussurros do País das Maravilhas nada mais é do que um intrigante e psicodélico tributo a Lewis Carroll, um dos pioneiros a dar asas a sua imaginação, levando-a ao espantoso, porém estonteante, País das Maravilhas.  Infelizmente não tive a oportunidade de ler os dois primeiros volumes dessa série e, talvez, por conta disso, não tenha captado alguns pontos neces...

Filha da Profecia, de Juliet Marillier

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Mais uma vez, tive a oportunidade de ler um exemplar que mescla ficção com realidade, proporcionando uma rica experiência dos sentidos e emoções àqueles que viram suas páginas. De um lado, temos a historicidade da obra, fruto de um estudo aprofundado da autora Juliet Marillier, enquanto do outro, a magia que reflete todo o misticismo de tempos antigos, regados pelo mistério que circunda um fantástico universo de segredos e aventuras. Filha da Profecia é o terceiro volume da trilogia Sevenwaters, cujo enredo me atraiu desde o início. Algo como um convite para viajar sobre as linhas do tempo imaginário, observando um horizonte há muito esquecido e experienciando peripécias dos personagens marcantes junto ao seu amadurecimento com o passar dos anos. Trata-se de uma verdadeira história que nos conecta com a criatividade, germinando instintos artísticos no intimo de cada um, para que possamos perceber o toque emocional em meio ao turbilhão de acontecimentos da narrativa. Não é ape...

O Corvo que Quis Imitar a Águia

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Dentre os clássicos contos antigos, existe um que nos faz refletir sobre a realidade diante das condições que nos são dadas. A soberana águia que subia levando um carneiro aos ares, preso em suas garras, causava desconforto ao corvo que queria imitá-la. O animal que assistia todo o espetáculo, tão voraz quanto a grande ave, embora com capacidade reduzida, fora assaltado pelo desejo que fazer o mesmo. Pôs-se a revoar sobre o rebanho que pastava, procurando o carneiro mais gordo para pô-lo em sacrifício, já que era considerado o verdadeiro acepipe dos deuses. Animado com seu projeto, conjeturava:  "Não sei quem o criou, porém sei que está mesmo em tempo de ser transformado em alimento, e logo eu o terei em minhas garras." E com esses pensamentos, precipitou-se em um vertiginoso mergulho sobre o indefeso animal. Agarrou-o firme, mas — ó, surpresa! — a coragem do corvo era bem mais de vulto que sua força. Pensava o animal que um queijo não pesava tanto quanto a desejad...

Filho das Sombras, de Juliet Marillier

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Mais uma vez mergulhado no oceano de fantasias da cultura céltica que há muito encanta os contadores de histórias por suas particularidades e características. Seja pela magia fortemente relacionada a este povo, ou pelas profecias e crenças politeístas, os celtas tiveram seus primeiros registros catalogados por autores clássicos gregos e romanos, que relatavam várias práticas relacionadas a este povo e seu contato direto com a natureza, destacando o culto que faziam aos elementos das florestas, tais como rios, árvores, pedras, entre outros. É sabido que muitos desses pergaminhos milenares se perderam com a severidade do tempo, mas aquilo que restou foi o suficiente para que o estudo antropológico dessa cultura fosse aprofundado na idade moderna, tornando-se tema acadêmico dentro das universidade e, também, servindo de inspiração para autores apaixonados pela mitologia histórica indo-europeia.  E foi exatamente dessa fonte que a autora neozelandesa Juliet Marillier se aba...

Darkmouth: Os Caçadores de Lendas, de Shane Hegarty

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Famosos são os contos irlandeses cujas premissas nos envolvem de magia e aventura. Há muito esse povo encanta com suas histórias; algo transpassado pelos longos anos de transformação da sociedade que surge no universo céltico e se desenvolve com as mudanças inerentes ao tempo. E apesar do exemplar tratar a fantasia num contexto moderno e contemporâneo, ultrapassando suas fronteiras culturais e adentrando em um oceano imaginário mais amplo, o autor não perde a desenvoltura da obra, tornando a mesma uma escolha perfeita para aqueles que gostam de viajar na inventividade surreal. Hegarty criou um mundo de monstros e junto a ele, uma trama heroica com suas particularidades. Darkmouth, então, é a pequena e pitoresca cidade onde Finn, o protagonista, vive. Com seus doze anos, o menino precisa assumir um ofício nada convencional às crianças da sua idade: o de caçador de lendas. Contudo, é importante destacar que o termo "lendas" refere-se aos monstros, e não as suas hist...

O Segredo de Heap House, de Edward Carey

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Quando o livro é bom, não importa a quantidade de páginas, sempre terminaremos ele antes do esperado; e foi exatamente isso que aconteceu quando dei inicio ao Segredo de Heap House. De fato, foi uma leitura repleta de surpresas que contribuiu muito para que o interesse pela história se desenvolvesse. Várias especulações e teorias foram criadas em minha mente sobre o desfecho e nenhuma delas chegou perto do que realmente aconteceu. As características centrais da obra são a originalidade e a particularidade para com os assuntos tratados. Uma mescla de mistérios e insanidades geravam sensações únicas junto às descrições dos personagens e ambientes. Algo jamais imaginado por mim, mas que ganhou forma e contexto graças à escrita envolvente do autor, junto às imagens sombrias que ao início de cada capítulo ilustravam o enredo. Para explicar o desenvolvimento da história, é necessário entender que o ambiente, por si, é mais importante que os personagens, pelo menos na minha perspec...

O Nariz do Camelo

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Há muito tempo me contaram uma história curiosa, em que, numa noite fria, um velho viajante do deserto armou sua tenda para descansar. Quando já estava deitado, seu camelo afastou as abas da entrada e ficou espiando lá dentro — Meu senhor — disse o animal —, permita-me deixar meu nariz aqui dentro. Está bastante frio!  Era um pedido estranho já que os camelos suportam muito mais as noites frias do deserto do que os homens. Mas o viajante não viu problema algum. — Pois bem — bocejou, apático e sonolento depois de um longo dia de caminhada. — Faça como quiser. Então o animal enfiou o nariz dentro da tenda. — Se eu pudesse aquecer o pescoço também... — disse. — Para mim dá no mesmo — respondeu o velho. O camelo avançou o pescoço e distraiu-se durante um certo tempo olhando em torno. Depois de virar a cabeça para lá e para cá, acabou quebrando o silêncio: — Só vai ocupar mais um pequeno espaço se eu colocar minhas patas dianteiras para dentro da tenda. Eu me sentir...

A Lagoa dos Sapos

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Certa vez foi me contada uma história de uma lagoa no meio da floresta onde era localizado o reino dos sapos. O local era considerado o paraíso para a espécie, governado pelas ordens do rei. Este, por sua vez, se encontrava tristonho sentado em seu trono de cogumelo por não ter nada o que fazer. — Não é fácil ser o rei da lagoa — afirmava para seu conselheiro. — Estou submerso em um poço de tédio, tudo se encontra na mais perfeita harmonia!  O súdito, então, ouvindo os lamentos do monarca, sugeriu-o que fizesse uma competição na lagoa e desse as mais nobres honrarias ao vencedor. Pois bem, dito isso, o Rei Sapo não se aguentava dentro de si já que tamanho era seu entusiasmo. Pediu ao escrivão que elaborasse uma carta oficial e colasse no tronco do arbusto às margens da lagoa. Assim, todos poderiam participar. "Caros súditos, contemplarei àquele que subir primeiro na copa do arbusto e me trouxer um ramo de sua flor com tesouros inimagináveis", dizia a tal carta. Log...

O Macaco e o Golfinho

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Na Grécia antiga era costume entre os navegantes levar macacos para seus navios, quando iam viajar. Isso porque tinham tais seres como mascotes que traziam boa sorte nas grandes e perigosas viagens. Um navio que levava alguns desses animais naufragou próximo da costa de Atenas e, se não fosse a presteza com que ocorreram os golfinhos, toda a tribulação teria perecido afogada. Os marinheiros ficaram surpresos e intrigados com a inteligência do cardume, já que desempenharam o papel de salva-vidas. — Que sorte a nossa termos esses animais por perto! — diziam uns aos outros. Pois bem, o brilhante cardume pôde evitar o terrível naufrágio, e este feito não ficou perceptível apenas aos homens. Um macaco, valendo-se de sua semelhança física com os seres  humanos, achou que também tinha direito à salvação. De fato, um dos golfinhos o tomou como homem, levando-o através dos mares em cima de seu dorso. Já se aproximavam da praia, quando o salvador, numa tentativa de ser agradável, pe...

A Corte do Leão

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Sua Majestade, o leão, manifestou certa vez o desejo de conhecer todos os povos, dos quais, por graça divina, era amo e senhor. Para reunir os súditos num local possível, enviou para todos os cantos do globo um mensageiro que levava consigo a convocação em forma de carta, autenticada com o selo real, a fim de que os vassalos pertencentes a todas as categorias sociais tomassem conhecimento do grandioso evento. Na correspondência estava escrito que num período de trinta dias haveria uma festança ininterrupta, começando por um banquete onde nobres e plebeus se reunissem. Após a comilança, os comensais teriam por diversão as graças do gentil senhor macaco, que amavelmente se oferecera para distraí-los. Com estas demonstrações de riqueza, o rei desejava mostrar ao súditos todo o seu poderio. Quando chegaram à corte do reino, os vassalos, numa concessão real especial, foram recepcionados na entrada do palácio. E que palácio!  Os visitantes, todavia, ficaram assombrados e enojado...

Histórias de Tia Nastácia: O Camponês Ingênuo

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Na obra mais famosa de Monteiro Lobato, Sítio do Pica-Pau Amarelo , existe um volume que reúne as brilhantes histórias de Tia Nastácia, sendo uma delas O Camponês Ingênuo ; pequena narrativa que nos faz refletir sobre a terrível "esperteza" dos malfeitores em contraste com a ingenuidade daqueles que creem na boa ação do próximo. De fato, trata-se de uma ótima oportunidade para se rever valores distorcidos e ponderar a confiança depositada ao ser humano sem regras. Confira: Era um camponês muito ingênuo, que um dia partiu para a cidade de Bagdá a fim de vender uma cabra; foi montado num jumento, a puxar a cabra, que ia, tlin , tlin , tlin , com um cincerro ao pescoço. Três ladrões resolveram roubá-lo. — Eu me encarrego de furtar a cabra — disse um deles. — E eu, de furtar o jumento — disse o segundo. — E eu, de furtar-lhe as roupas — disse o terceiro. Assim combinados; os três malandros seguiram o pobre camponês. O primeiro deu jeito de passar a campainha do p...

Fábulas para o Mundo

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Este texto foi publicado originalmente no site 500 Palavras,  para acessá-lo clique aqui . Referências em www.500palavras.com Analisando o conceito de moral, percebemos que se trata de um conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão. Ou seja, responsáveis por nortear ações, julgando-as entre o certo e o errado. Todavia, esse significado alterou-se com o tempo, já que sua etimologia veio da tradução feita pelos romanos da palavra grega êthica , cuja definição nos dias atuais se dá num conjunto de comportamentos humanos que engloba as regras morais. Portanto, dois significados diferentes desenvolvidos no decorrer do tempo; só que eis a pergunta: como Esopo sabia disso no século VII a.C.? Questão pertinente se analisarmos a obra do autor. Esopo foi o maior fabulista de todos os tempos; aquele que inseriu o caráter moral alegórico — que transmite um ou mais sentidos além do literal — cujos papeis eram desenvolvidos por animais que sempr...

A Montanha Que Gerou Um Rato

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Esopo nos conta em uma de suas fábulas sobre uma montanha parturiente que fazia tanto barulho, em meio a gemidos e gritos, que os moradores dos arredores pensavam que ela geraria uma imensa cidade, pelo menos do tamanho de Paris. Mas foi grande a estupefação de todos: após laborioso trabalho de parto, nascera apenas um ratinho. Esta pequena história ganhou várias versões ao longo do tempo, todavia sua moral continua a mesma. De forma contemporânea, hoje é feita a famosa tempestade em um copo d'água. Porém, todas as vezes que me recordo da absurda montanha colossal, muito verdadeira em seu sentido, me vem à mente uma passagem que li em um livro de contos cujo poeta eu desconheço. Foi algo mais ou menos assim: Canto em versos pujantes A terrível guerra Que audazes gigantes Do céu e da terra A Júpiter levam, Tentando eles em vão Quando se sublevam  Vencer o deus do trovão. Se prestarmos atenção neste trecho do poema, perceberemos que todo esse arrojo e vale...

As Orelhas da Lebre

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Certa vez um animal possuidor de longos chifres feriu traiçoeiramente o poderoso leão, que, enraivecido com a deslealdade do ataque e também para que não se repetisse aquilo, expulsou de seus domínios todos os animais que ostentassem chifres. Carneiros, cabras e touros, ao saberem da notícia, puseram-se em debandada, temendo o castigo do selvagem monarca. E tão grande era o temor inspirado pelo leão, que em meio aos fugitivos viam-se até gansos e corças, que, na ânsia de escapar ao perigo iminente, optaram pelo exílio.  Uma lebre, vendo projetada na parede a sombra de suas orelhas, teve receio de que algum perseguidor as tomasse por chifres. — Adeus, meu vizinho — disse ao grilo —, sou obrigada a abandonar meu país, pois estou certa de que no fim de tudo dirão que minhas orelhas são chifres e passarão a perseguir-me. — Ora — respondeu o grilo —, achas que sou bobo para vires dizer-me tamanha asneira? Quem não vê logo que o que tens não passa de orelhas? — Eu seu disso,...

A Velha Fábula da Raposa e as Uvas

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Esopo foi um fabulista que viveu na Grécia Antiga; suas fábulas e histórias são conhecidas mundialmente nos dias atuais e muitas foram reescritas por autores famosos, como Jean de La Fontaine, autor francês que viveu no século XVII. Um dos exemplos mais famosos é a fábula da Raposa e as Uvas, que será apresentada aqui numa versão própria tendo como objetivo ensinar que quando não aceitamos as nossas próprias limitações, perdemos a oportunidade de corrigir as nossas falhas… Ou seja, é fácil desdenhar daquilo que não se alcança! Uma raposa natural da Gasconha, embora seja confundida como normanda — povo medieval que se estabeleceu ao norte da França —, estava quase morta de inanição. Ia andando à procura de algo que lhe amenizasse a fome, quando viu no alto de uma parreira alguns cachos de uvas, que, a julgar pela cor arroxeada dos frutos, estavam no ponto de serem colhidos. Então o animal se aproximou espreitando ao redor e mal se continha pois tamanha era a vontade de deliciar-s...