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O Pianista, de Wladislaw Szpilman

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Sempre afirmei que os romances históricos tem algo a mais para fazer os leitores concluírem sua viagem literária de forma primorosa. Tanto no quesito ficcional, quando eles conseguem se colocar na pele dos personagens, quanto no cultural, quando afloram em si o conhecimento histórico transpassado pelo exemplar vigente. Um livro é considerado bom quando os anos são para ele como flores no jardim: colorem sua essência.  Alguns meses atrás li O Pianista; romance altamente comentado por críticos de todo o mundo e transpassado pelos anos como um refletor de saberes. É de conhecimento que a obra deu origem ao premiado filme de Roman Polanski, retratando os horrores do massacre aos judeus pelos nazistas no período da Segunda Guerra Mundial. O exemplar contém tudo isso em suas páginas mas com um resplendor responsável por levar o enredo à sua singularidade poética.  A premissa saturada por outros autores não foi empecilho a Wladislaw Szpilman, pois o mesmo se encontra no seleto g...

Sumidouro: Ponte Seca (Quarta Parte)

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Espelhar na vivência toda a historicidade do arcabouço ostensivo presente em Sumidouro é conseguir enxergar além do que a visão pode mostrar; é viajar nas linhas do pensamento projetadas em meio à maestria da obra; é saber decifrar o enigma emocional contextualizado nas paisagens; é sentir na pele a transformação fugaz das épocas; é exercer o papel de aventureiro e mergulhar no oceano de incertezas; é entender que a vida não para e as obras do passado tomam outras interpretações com o passar do tempo.  Por mais que possamos sentir que temos o controle de nossas ações para traçarmos planos ao futuro, tudo não passa de uma ilusão projetada pelo lento caminhar das décadas. Quantos indivíduos pisaram nesta terra com o desejo de construir impérios e nada levaram senão o esquecimento. Foram noites e noites depositadas na concretização de planos vazios, delineados pela vaidade, que acabaram encobertos pelo manto da noite escura. Caminhando por um centro histórico e observando atentamente ...

Sumidouro: Cascata Conde D'Eu (Terceira Parte)

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O relógio marcava mais de quatro horas quando adentrei o vale encantado de verde estonteante, mata fechada aos montes e riachos taciturnos correndo por entre as pedras. O sol ainda estava forte, mas já se preparava para o grande espetáculo de se pôr. Seus raios seguiam minha visão e dançavam pelos morros de pastos vicejantes. Àquela tarde o céu ganhava um azul único e a estrada de terra batida delineava seu percurso naquele esplendor natural que se revelava. O rumor da cascata monumental aumentava como se fosse uma lenda há muito esquecida. Um burburinho a cada curva enchia meu coração de esperança para avistá-la: a magnífica cachoeira e seu cenário hipnotizante, dona de antigas histórias cujas brumas guardavam uma relação encoberta com o romantismo no Brasil.  Tratava-se da maior queda d’água do estado do Rio de Janeiro. Um verdadeiro espetáculo da natureza vacilante ao vento, como um véu esbranquiçado pairando ao precipício. Foi em 1877, num almoço faustoso aos pés da cachoeira, ...

Sumidouro: Pedra Duas Irmãs (Segunda Parte)

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Quando trago à mente os exemplares de fantasia e ficção, cujos enredos me fazem viajar pelo imaginário da literatura, penso sempre no espaço e no tempo em que são colocados os personagens. Algo extremamente fantasioso que foge da realidade e vai ao encontro da magia, ou, melhor dizendo, da improbabilidade. Quando tiro o mundo literário de cena, onde tenho infinitas possibilidades de viagens dimensionais — espaço-tempo —, pouco me resta senão pensar em portais capazes de transportar seres para lugares inimagináveis.  Um portal pode se consolidar de várias formas e, também, pode ter vários objetivos, não se resumindo apenas a viagens dimensionais como nos mostra a fantasia. Pode significar renovação e recomeço. Ultrapassar um portal é sempre um ritual a quem leva dentro de si a mística da terra e o desejo de transformação. Algo relacionado à evolução espiritual para os teístas e amantes das forças da natureza. E, ainda para os mais céticos, os portais também são um mistério; uma junç...

Sumidouro: Um Lugar de Encanto e Magia (Primeira Parte)

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Sempre me atraí pela magia dos lugares. Por sua excentricidade; originalidade; singularidade; efeito de estontear; maravilhar; emocionar e, é claro, pela forma com que o cenário ilustra minha imaginação, fazendo-me delinear histórias pelo ambiente, como se o passado voltasse à tona no espaço circundante para se mostrar vivo à minha frente. Trabalho criativo para quem enxerga além do que vê. Afinal de contas, todos os lugares carregam consigo uma história oculta, um passado remoto, uma magia avassaladora e um enigma a ser decifrado.  Poderia estar traçando rotas e compartilhando facilidades do entorno — dando dicas para um passeio confortável e lugares onde se pode comprar uma boa refeição. Mas isso todos os guias turísticos já fazem. Não quero ser mais uma numa multidão. Escrevo para ávidos leitores, amantes da literatura e aventureiros de textos perdidos, e assim como ponho sentimentos nas resenhas literárias que teço frequentemente, também pretendo trazer emoção às viagens que c...

A Volta ao Mundo em 80 dias, de Júlio Verne

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De acordo com a etimologia da palavra aventura, do latim "ad venture", diz respeito, literalmente, àquilo que vem pela frente. Ou seja, encarar uma aventura significa estar preparado para o que vier; seja uma circunstância ou um lance acidental inesperado, sempre despertará emoções à flor da pele, fazendo dos aventureiros descobridores de si mesmos quando encontram em seu entorno o que não encontrariam em seu cotidiano. De tal modo, a aventura está diretamente ligada à quebra do habitual, partindo do ordinário e indo ao encontro do extraordinário. Esse conceito delineia perfeitamente a obra de Júlio Verne, A Volta ao Mundo em 80 Dias, nos moldes da narrativa fantástica. O escritor francês, tido como precursor da moderna ficção científica, teve como grandes expedições aventureiras os principais temas de seus livros, fazendo com maestria o que ninguém havia feito até então. A obra vanguardista aqui comentada não envereda-se tanto fora da realidade, como outros títulos do autor,...

O Organista, por Filipe Penasso

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Molda-se em grandeza aquele que ao longo dos anos se vestiu de sublime encanto nas catedrais de pedra esculpida. Lá se destacava em proeminência o instrumento que invadia o íntimo dos aflitos colhedores de esperança em palavras de alento. Mas nenhuma palavra se comparava ao órgão que dominava o vento, transformando-o em notas musicais ecoadas em seus tubos de metal polido.  Mágica transmutada em música. Era como se as virtudes cantassem junto às vozes do coro enlaçadas pelos dedos e pés do organista, regendo seus instintos triunfante. Sois tal o dominador da esfinge viva? Enigma aos olhares curiosos que buscam entender como dali pode sair tamanha harmonia. De fato, valeu à história dar-lhe o epiteto de rei dos instrumentos, pois soberano preserva a arte em seu emaranhado de caixas, canos, tubos, teclas, ripas e cordas.  Obra escultural de onde o organista faz estremecer como uma tempestade as melodias da alma, refletidas pelo respeito, pelo tributo, pela emoção de sentar-...