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Mostrando postagens com o rótulo Resenha

A Metamorfose, de Franz Kafka

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Nesse jogo de objetividade, o assombroso ganha moldes de angústia e descontrole; a fantasia do inacreditável se esconde com o manto da realidade obscurecente que inebria a razão dos leitores. Estes lançam uma pergunta: o que é que aconteceu? E no coro melancólico de incertezas, as linhas da metamorfose vão lapidando a percepção de valores que abrange desde a singela apreciação da arte até os conceitos tortuosos da metafísica. Ler A Metamorfose, de Franz Kafka, é ter a oportunidade de navegar por interpretações metafóricas ou permanecer contemplando a intenção denotativa das palavras. De qualquer modo, a narrativa traz consigo uma série de compreensões sobre o cotidiano trivial do protagonista que é surpreendido por sua metamorfose em determinada manhã. Gregor Samsa se transforma em um inseto repugnante e a partir daí sua vida muda drasticamente. Assim vamos nos aprofundando pelas dores do personagem que antes era o esteio da família, mas que agora se resume no rastejar em torno de sua ...

O Pianista, de Wladislaw Szpilman

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Sempre afirmei que os romances históricos tem algo a mais para fazer os leitores concluírem sua viagem literária de forma primorosa. Tanto no quesito ficcional, quando eles conseguem se colocar na pele dos personagens, quanto no cultural, quando afloram em si o conhecimento histórico transpassado pelo exemplar vigente. Um livro é considerado bom quando os anos são para ele como flores no jardim: colorem sua essência.  Alguns meses atrás li O Pianista; romance altamente comentado por críticos de todo o mundo e transpassado pelos anos como um refletor de saberes. É de conhecimento que a obra deu origem ao premiado filme de Roman Polanski, retratando os horrores do massacre aos judeus pelos nazistas no período da Segunda Guerra Mundial. O exemplar contém tudo isso em suas páginas mas com um resplendor responsável por levar o enredo à sua singularidade poética.  A premissa saturada por outros autores não foi empecilho a Wladislaw Szpilman, pois o mesmo se encontra no seleto g...

A Volta ao Mundo em 80 dias, de Júlio Verne

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De acordo com a etimologia da palavra aventura, do latim "ad venture", diz respeito, literalmente, àquilo que vem pela frente. Ou seja, encarar uma aventura significa estar preparado para o que vier; seja uma circunstância ou um lance acidental inesperado, sempre despertará emoções à flor da pele, fazendo dos aventureiros descobridores de si mesmos quando encontram em seu entorno o que não encontrariam em seu cotidiano. De tal modo, a aventura está diretamente ligada à quebra do habitual, partindo do ordinário e indo ao encontro do extraordinário. Esse conceito delineia perfeitamente a obra de Júlio Verne, A Volta ao Mundo em 80 Dias, nos moldes da narrativa fantástica. O escritor francês, tido como precursor da moderna ficção científica, teve como grandes expedições aventureiras os principais temas de seus livros, fazendo com maestria o que ninguém havia feito até então. A obra vanguardista aqui comentada não envereda-se tanto fora da realidade, como outros títulos do autor,...

O Amigo Dedicado: A Ilusão de Promessas Vazias

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A vida é, de fato, cruel quando se pratica a bondade em meio à ingratidão. É como plantar em solo infértil; ainda que a expectativa seja de exuberantes flores ao final, nada nascerá das rachaduras ressecadas e esquecidas pela chuva primaveril. Oscar Wilde soube ilustrar esta problemática em seu conto, fazendo-nos refletir a respeito da amizade lesiva, quando o lado mais forte tira proveito do mais fraco. O Amigo Dedicado é uma fonte de reflexão social, e, ainda que escrito há mais de cem anos, nos mostra de forma atual como seres maliciosos e egoístas conseguem crescer às custas da ingenuidade e inocência dos que não semeiam rancor em seus corações. Hans, tido como protagonista, só queria cuidar do seu jardim com amor, cultivando as flores mais belas com todo sentimento que tinha dentro de si. O pobre homem conseguia tirar da terra o seu sustendo durante o verão, a primavera e o outono. Contudo, o inverno se fazia muito rigoroso para ele, tendo de enfrentar momentos muito difíceis de f...

O Rouxinol e a Rosa: Um Contraste Material e Sentimental

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Debrucei-me na janela literária de Oscar Wild e pude contemplar o vasto campo emocional de suas palavras. Não pretendo fazer uma análise ou resenha da obra por ora, mas uma simples reflexão contrastada nos valores contidos no conto, bem como a moral extraída de matizes emocionais gotejados pela melancolia eterna de clássicas tragédias.  Atentemo-nos ao resumo: um homem convida uma senhorita ao baile. A mesma diz que só aceitaria se o cavalheiro lhe trouxesse uma rosa vermelha. Tomado de tamanho êxtase, o personagem sai cantarolando pelas ruas na esperança de encontrar a rubra flor em seu jardim para entregá-la a donzela. O mesmo então é surpreendido ao chegar em casa e perceber que em meio às inúmeras roseiras nenhuma se faz de rosas vermelhas.  Por conseguinte, o rapaz entra em profunda tristeza. Assim, o autor nos introduz a parte lúdica e extraordinária da narrativa. Um rouxinol que voava pelas redondezas emanando alegria por onde passava presencia todo o ocorrido e se como...

Sal, de Letícia Wierzchowski

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Contrastada ao o nome minimalista, Sal, a obra envereda-se pelas profundezas oceânicas de romances proibidos e aventuras avassaladoras, enraizando emoções em solos inexplorados aos leitores ansiosos por saberem o desfecho da trama. Encarar as páginas do livro de Wierzchowski é como navegar por águas turbulentas, desenvolvendo o desejo voraz de desvendar cada vez mais os mares das paixões descritas pela autora. E quantas são essas paixões... Latentes e esconsas, momentâneas e duradouras. Seja pelo cenário ou pelos personagens. Tudo se conecta com a maresia da história que engendra-se a partir da tradição familiar e do amor que move cada personagem ao seu caminho. A poesia em forma de narrativa tecida nos capítulos do livro circunda a ilha de La Duiva com seu farol de luz vacilante. A matriarca da família Godoy reflete sua solidão e tristeza pelas mãos de tecelã, recordando tempos distantes onde sua família estava reunida pela ilha e o farol era um colosso aos homens desorientados que na...

O Legado do Inverno, de Filipe Penasso

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Contextos fabulísticos têm o poder de nos conduzir pelas veredas da realidade em meios reluzentes da fantasia. Estar em sintonia com a literatura diz respeito entender a proposta ilustrativa, que condiciona o tema ao nosso cotidiano, fazendo-nos experienciar na pele o que as fábulas nos oferecem. Dito isto, O Legado do Inverno enlaça paixão e sonho em cenários extremos, permitindo-nos vivenciar o sentimento mais profundo da alma contraposto ao desejo mais ardente da mesma; em outras palavras, trata-se da ilustração comparativa que um desejo pode causar em nossas vidas quando não vivido em sintonia com os sentimentos que regem o mesmo. A estória caminha junto à paixão de duas aves diante da chegada do inverno: Beija-flor, senhor dos jardins e das flores, com o forte desejo de buscar o calor do sol em terras distantes; Pisco-de-peito-ruivo, graciosa cantante das cores do entardecer, com o objetivo de realizar seu sonho mais abrasador: entender os mistérios do inverno. Nesse jogo d...

Livro: 50 Poemas de Revolta

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Quando alguém ousa escrever algo relacionado a revolta, certamente pretende exprimir em suas palavras uma agitação peculiar que se estende por vieses de perturbação; em outras palavras, almeja compartilhar o efeito de sua revolta e, consequentemente, a gênese que o levou a tal manifestação. É interessante analisarmos dessa forma sempre levando o pensamento aos conceitos artísticos de expressividade. Seria uma revolta capaz de transmudar-se em arte? Artistas, por sua vez, poderiam concretizar suas obras pelo sentimento de raiva inerente à revolta? A resposta é sim! O tumulto da mente pode ser aliviado em arte, partindo do alvoroço de sentimentos revoltados em busca de alívio para tamanha conturbação. Um dos caminhos mais utilizados para se colocar em prática a composição organizada de preceitos revoltantes, é fazendo o uso das palavras, que nos conduzem aos itinerários determinados pelos autores, como bem entendem, em veículos conhecidos como poemas. Nos poemas podemos viajar, ob...

A Livraria, de Penelope Fitzgerald

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Seria um típico romance inglês em cenários e diálogos se não fosse pela especialidade de Penelope Fitzgerald em conduzir seus leitores a uma excêntrica trama que desperta questionamentos distintos à medida em que se avança na leitura. Apesar de sua brevidade, a obra traz uma perspicácia exacerbada em questões de convívio no sentido político; muitas vezes rompendo em vieses orgulhosos e egoístas por parte dos personagens. Tudo isso para desenrolar a narrativa direta que cultiva previsões de seu desfecho, mas que surpreende todos aqueles que ousam imaginar um final à trama.  Adaptado ao cinema por justamente trazer questões de convivência, classe, dinheiro e política, o exemplar também aborda preceitos de afinidade, aludido na introdução de David Nicholls como "exterminadores e exterminados", com os primeiros predominando o tempo inteiro. Ele ainda conclui dizendo que a proposição é inspirada em momentos da vida de Fitzgerald, e que dificilmente iremos encontrar outro au...

7 Princípios do Líder Revolucionário, de Hugh Blane

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O conceito de liderança se define pela arte de comandar pessoas, atrair seguidores e influenciar de forma positiva as escolhas e ações de um ou mais indivíduos. Está nas organizações que precisam de líderes para comandar suas respectivas produções, projetos, ideias, entre outras questões. O fato é que a liderança não nasce intrínseca a todos os seres humanos; muitas vezes tendo que ser conquistada, aperfeiçoada e exercitada. Salvo raríssimas exceções de líderes virtuosos que sabem extrair de dentro de si por conta própria a capacidade de liderar, traçando o caminho junto à equipe e dando o exemplo prático para que a mesma não se desmotive. Desse modo, a maior parte das pessoas precisa encontrar meios que façam germinar em si o espírito de liderança, tal como a força de vontade. Se instruir é um caminho válido para atingir tal objetivo, e tendo em vista esta presunção, vários autores já escrevam livros como guias para se conquistar a arte de liderar, como no caso de Hugh Blane, cons...

Coleção Melhores Crônicas: Marina Colasanti

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Mais uma vez imerso no oceano das crônicas; agora, diria passageiro de um ônibus na estrada da vida, cujas curvas revelam-se em linhas de textos breves, porém com sentimentos pulsantes de uma especialidade à parte. Mais uma vez, e outra, e outra... Parágrafos curtos, orações incisivas, emoções de uma vida costumeira e um olhar seletivo para a realidade. Assim se dá as crônicas de Marina Colasanti: como uma árvore carregada de frutos à beira do caminho. Mesmo não estando com fome, o viajante não sai de sua copa até se fartar. Ora doces, ora amargas, as crônicas da autora se revelam em maestria e nos conduz à via arborizada da literatura. Qualquer leitor consegue perceber a paixão pela escrita que Marina possui e deposita em suas crônicas. Retrato de uma verdadeira cronista que enxerga de forma singular as nuances habituais do cotidiano. De temática abrangente, a autora recobre o imaginário refletindo sua artisticidade: contista, poeta, autora de livros infantis, lindos contos de ...

Querido Mundo, de Bana Alabed

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As histórias sob a perspectiva de uma criança têm sempre uma especialidade quando bem transcorridas. Um encanto à parte do leitor com as palavras que, embora simples, refletem mais sentimentos que muitos títulos elaborados. Independente do gênero ou emoção — riso ou choro —, o olhar da tenra idade infantil sobre a realidade transforma o contexto e nos faz pensar na vida. Esse processo se potencializa ao sabermos que se trata de uma história real, escritas às lágrimas de angústia e sofrimento na esperança de um futuro melhor. Sim, o livro Querido Mundo nos concede a sensibilidade e a empatia para percebermos o sofrimento alheio nos relatos de guerra feitos por uma menina de sete anos e sua busca pela paz. Segundo J. K. Rowling, trata-se de uma história de amor e coragem em meio à brutalidade e ao horror, onde temos o testemunho de uma criança que suportou o inimaginável. Bana Alabed comoveu o mundo ao utilizar o Twitter como uma ferramenta de súplica à paz. Lá, a menina síria desc...

Glück, de Karin Hulck e Fred di Giacomo

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A vida da maior parte das pessoas é, de fato, um emaranhado de questionamentos a respeito do que fazer e para que fazer, a fim de se atingir a felicidade. Como se esta fosse um prêmio dado somente ao vencedor da repetitiva competição que se inicia ao nascer do sol e termina quando o mesmo se põe. Constantemente, a felicidade também é associada ao sucesso, seja ele profissional, sentimental, acadêmico, enfim, triunfante. Neste vasto leque de predeterminações sobre os itinerários que levam à tão quista emoção, eis que os autores  Karin Hulck e Fred di Giacomo acabam descobrindo novas facetas dessa preciosa satisfação interior, e fazem isso de forma surpreendente: abandonam tudo e lançam mão de um ano sabático para tentarem entender o conceito da felicidade conquistada em sua essência. Assim, surge a obra Glück, que do alemão significa alegria e sorte. Imagine largar a gênese de uma carreira brilhante em um ofício extremamente disputado para percorrer o mundo atrás de r...

Os Italianos, de João Fábio Bertonha

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Para mim, o livro de João Fábio Bertonha foi um dos mais especiais em meio aos inúmeros títulos históricos que já abordei no site. Isso porque o mesmo diz respeito aos italianos e sua história, abrangendo temas diversos e contraditórios que são elucidados pelo historiador. Muito do que queria entender sobre como se deu a vinda de minha família para o Brasil está explicado no livro, numa linguagem extremamente acessível e fluída, além de outros temas importantes para o conhecimento de todos, não se prendendo apenas naqueles cujos costumes e origens estão presentes na árvore genealógica. Lançando a questão do que é ser italiano atualmente, Bertonha nos conduz a uma certa mutação da identidade nacional no decorrer dos séculos de sua história, enlaçando a economia, a política, a cultura e diversos outros fatores para dentro da dissertação. E isso é feito em dois extremos de um itinerário, tal qual sua influência rural em contraste com o mundo da moda e seus executivos competentes, ou ...

Israel: Uma História, de Anita Shapira

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É interessante quando encontramos obras de âmbito histórico que saem da angulação padrão dentro de seus respectivos temas. No caso do exemplar aqui resenhado, a professora Anita Shapira desenvolveu seu trabalho de maneira instigante e abrangente, sem perder a sensibilidade, fazendo de seu conjunto de textos uma rica fonte de estudo sobre o sionismo, que é o movimento internacional judeu resultante na formação do Estado de Israel e em sua posterior evolução. De acordo com a revista Publishers Weekly, trata-se de um guia indispensável, pois a autora faz uma grande análise histórica, econômica, social e cultural de Israel, utilizando a literatura hebraica de forma precisa para ilustrar os temas abordados em seu livro. Shapira não se limita apenas aos relatos de guerras e conflitos entre árabes e israelenses, como a maior parte dos autores que se propõem a escrever sobre o mesmo tema, partindo ao encontro de questões mais amplas como fatos ocorridos em períodos de paz, alicerces cult...

Coleção Melhores Crônicas: Lima Barreto

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Mais uma vez adentrando o campo concernente ao tempo, breve e profundo, das crônicas escritas por grandes autores, dessa vez mais apurado no que diz respeito à compreensão sentimental desses textos que compilam um conjunto de ideias viajantes pelas linhas temporais. Sim, são crônicas: palavras que perduram em sentidos e emoções, cujo tema, apesar dos anos, não se corrompe em suas ações, nem tampouco se esvai como fina areia ao vento. Não é à toa que tal palavra vem de  cronos , tratando-se da personificação do tempo na mitologia grega ou mencionando a compreensão dos anos, meses e dias. Essa introdução é importante ser destacada, pois o exemplar hoje abordado reúne crônicas do autor Lima Barreto, selecionadas por Beatriz Resende, que foram escritas há mais de cem anos e ainda trazem nuances de uma época não mais existente semelhantes às tonalidades encontradas pelas ruas nos dias atuais. Como alguém que sobe uma velha ladeira: a visão e as pessoas não serão mais as mesmas...

Os Portugueses, de Ana Silvia Scott

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A história de povos e civilizações é, sem dúvidas, um conhecimento ímpar que o indivíduo pode buscar a fim de apurar sua base cultural; mas, muito além disso, tal informação pode, também, mudar a forma com que o leitor enxerga sua realidade, tornando-se capaz de notar influências muitas vezes despercebidas e compreender o porquê de vários aspectos que englobam o cotidiano existirem e se interligarem pelo desenvolvimento cultural junto à dispersão de suas características ao redor do mundo. Em outras palavras, são como referências que se ramificam e ganham suas próprias vertentes, por isso o motivo de tamanha notabilidade dentro do conhecimento de diferente povos e seus costumes, pois foram a partir deles que se constituiu a atualidade como ela é; na soma de fatores que proporcionaram a nossa civilização vigente. Sendo assim, é de suma relevância aos brasileiros se aprofundarem na história do povo português ao longo dos anos, antes mesmo de chegarem à America e colorizarem o ...

O Trem que Leva a Esperança, de Alison Pick

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Depois de já ter lido algumas obras que abordam o tema dos judeus e nazistas do período da Segunda Guerra Mundial, desenvolvi a habilidade de perceber os diferentes ângulos que os autores utilizam para transcorrerem suas respectivas histórias, destacando os aspectos mais tocantes dentro de suas linhas de raciocínio. Seja pelo massacre; pela separação; pelo olhar de uma criança sobre o sangue derramado, o tema sempre irá nos despertar para novos questionamos, ainda que sua premissa já esteja esmiuçada. Nesse ponto, conseguimos perceber quem são os bons escritores: aqueles que conseguem extrair um novo panorama em meio à saturação do conteúdo. Alison Pick, de fato, teve esta capacidade ao escrever o Trem que Leva a Esperança. Não foi à toa que a consagrada autora canadense, colecionadora de vários prêmios ao longo de sua carreira, conquistou o Jewish Book Award e uma indicação ao Man Book Prize pela obra preciosa que ganha sua primeira edição brasileira. No período onde a esper...

Entre Asas e Raízes, de Filipe Penasso

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Depois de centenas de obras resenhadas e analisadas, eis que surge a oportunidade de comentar sobre um exemplar de minha autoria. Talvez seja o trabalho mais difícil, uma vez que eu mesmo o tenha escrito; de tal forma que não farei uma resenha, mas sim um resumo daquilo que apresento aos leitores no livro Entre Asas e Raízes, publicado originalmente no Wattpad e acessível a todos. Trata-se de uma antologia poética, cujos versos são concretizados pelas reminiscências infantis de um menino crescido no interior de Minas Gerais, que busca relacionar dois extremos na mesma linha de raciocínio. Asas dadas àqueles que se sentem chamados a abraçar o mundo e percorrer os caminhos de acordo com as estações; raízes atribuídas aos que cumprem o papel de porto-seguro, formalizando uma base sólida no espaço que lhes foi confiado. Ambas características importantes, mas de certo modo análogas, que compõem o coletivo de escolhas que devemos fazer ao longo da vida. Alguns poemas disponíveis no...

Sucesso e Sorte: O Mito da Meritocracia, de Robert H. Frank

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Um dos inúmeros motivos para permanecermos sempre em busca de novos conhecimentos é a capacidade que enxergarmos conceitos por diferentes ângulos e definições. Isso pode ocorrer com termos bem comuns, revelando interpretações ainda não pensadas, dando uma nova perspectiva sobre as formas de empregá-las. Tendo a palavra 'sorte' como exemplo, é possível perceber ramificações além da força invencível a que se atribui o rumo e os diversos sentidos da vida, pois com a visão de Robert H. Frank, em seu livro Sucesso e Sorte: O Mito da Meritocracia, contemplamos o seu ponto de vista a fim de elucidarmos as fontes do resultado final tido pela sorte, desprendendo-nos das barreiras do destino para mergulharmos num processo que, segundo o autor, inviabiliza a definição de meritocracia.  É interessante analisarmos o itinerário ao sucesso por meio de dois aspectos análogos: sorte e mérito. São extremos e opostos quando se parte do propósito de atingir determinada meta, caracteriz...